Em 2013, investimentos serão retomados e devem fazer PIB crescer 3,6%, aponta consultoria Tendências

por andre_inohara — publicado 12/11/2012 12h44, última modificação 12/11/2012 12h44
São Paulo – Volume de investimentos privados deve ser 5% maior que em 2012, puxado por juros mais baixos, consumo aquecido, obras de construção civil e mobilidade para a Copa.
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A proximidade da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e a queda dos juros básicos foram apontadas pela consultoria Tendências como os principais vetores para a recuperação da economia em 2013. Segundo Márcio Nakane, economista da Tendências, esses eventos levarão à retomada dos investimentos e puxarão o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) para perto de 4%.

“Nossa projeção é de 3,6% para o PIB em 2013, ano em que teremos uma recuperação comparativamente boa dos investimentos produtivos”, disse o economista, em entrevista antes de participar do comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo, na última quinta-feira (08/11).

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Os investimentos privados devem crescer 5% em 2013, “o que é bem forte para a economia brasileira”, e compensando a retração estimada de 2,5% para este ano por conta do cenário externo negativo, comenta Nakane. Para ele, parte do desempenho fraco do PIB neste ano é explicada pela retração dos investimentos, que começou em junho de 2011.

“Os dados do terceiro trimestre desse ano devem sair em novembro, e nossa expectativa é de crescimento negativo. Seriam cinco trimestres de retração do investimento e, apesar de esperarmos uma recuperação nos últimos três meses do ano, isso não vai fazer com que o investimento fique positivo [em 2012]”, explica Nakane.

A guinada é esperada a partir de 2013. Dentro de dois anos, a Copa do Mundo será realizada no Brasil, o que aumenta a necessidade de se concluírem projetos de infraestrutura, “sobretudo em construção civil e transportes urbanos”, detalha o economista.

“Também não podemos esquecer que a taxa básica de juros (Selic) está em nível recorde de baixa (7,25% ao ano). Desde que o Banco Central começou a derrubar a Selic, a taxa real caiu muito, o que em algum momento vai influenciar a decisão de investimento”, acrescenta Nakane. A taxa real de juros [diferença entre a taxa nominal – Selic – e a inflação] para os próximos 12 meses é de 1,8%.

A Copa e os juros reais baixos são os destaques, mas há outras variáveis que explicam a expectativa de estimativas melhores em 2013. “O consumo das famílias deve continuar forte, [com crescimento] em torno de 3,7%. De forma geral, o consumo seguirá robusto, basicamente impulsionado pelo comportamento do mercado de trabalho, do desemprego baixo e da renda real crescente.”

O crédito facilitado também “vai impulsionar o consumo de forma importante, o que não é novidade”, comenta o economista. Com mais investimentos, a produção industrial esperada deve aumentar 4,5%, revertendo a expectativa de queda de 0,3% neste ano, acrescenta o economista.

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Balanço de 2012

Para Nakane, “incertezas, vindas de um lado pelas mudanças promovidas pelo próprio governo [para incentivar a competitividade da economia, envolvendo desonerações tributárias e redução da conta de energia] e, por outro, do cenário externo fraco, fizeram com que os investimentos no Brasil não tivessem um comportamento forte”.

Na avaliação do economista, embora as medidas do governo objetivem melhorar o ambiente de negócios, o mercado interpretou como decisões que só beneficiam o curto prazo.

“O governo quer ajudar setores em dificuldade, mas se esquece de tomar decisões para o longo prazo. Falta definir, por exemplo, marcos regulatórios para as concessões de aeroportos, estradas e ferrovias”, argumenta.

Segundo ele, a reforma tributária, considerada fundamental para sanar deficiências estruturais da economia, mal foi mencionada pelo governo. “Discussões sobre a melhor forma de cobrar o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] são parte da agenda fundamental.”

A redução da tarifa de energia, feita através da redução de encargos setoriais e diminuição da rentabilidade dos agentes privados, também foi criticada pelo economista. “O governo deveria apresentar um ambiente regulatório menos hostil.”