Em tempos de crise, a saída é não estacionar, apontam especialistas na Amcham RS

publicado 01/07/2015 14h43, última modificação 01/07/2015 14h43
Porto Alegre - Encontro "Competitividade 2015" reuniu a consultoria BCG e o banco de investimento BTG Pactual no último dia 19/6

Em tempos de crise e certo impasse econômico, a saída é não estacionar. Pelo contrário. “O momento é de mudança, de rever parâmetros e culturas dentro das empresas”, resumiu Masao Ukon, sócio do Boston Consulting Group – BCG, no evento “Competitividade 2015”, promovido pela Amcham Porto Alegre no Instituto Ling, na manhã desta sexta-feira (19/06). Aod Cunha, sócio do BTG Pactual, ressaltou, contudo, que pensar e agir “fora da caixa” neste momento, apesar de necessário, também pode ser arriscado se o país não recuperar uma mínima credibilidade na política econômica em curto prazo. “Mas não é o que está se esperando, está se esperando exatamente que o Brasil consiga se recuperar.” O debate sobre como criar valor no contexto atual foi moderado pelo Presidente do Conselho de Lojas Renner, Osvaldo Schirmer.

 A produtividade brasileira nunca foi tão questionada e requerida. O atual cenário econômico evidencia grandes lacunas de produtividade nos mais diversos setores e indústrias, fazendo com que o momento seja de reorganização e inovação. As empresas brasileiras sabem que diversos fatores contribuem para o agravamento da questão da produtividade, como falta de mão de obra, infraestrutura deficiente, burocracia, foco distorcido, etc. Entretanto, o contexto macroeconômico brasileiro apresenta agora oportunidades e caminhos viáveis para uma completa transformação. Masao Ukon, do BCG, detalhou as alavancas de eficiência que podem moldar, posicionar e consolidar a produtividade brasileira em outro patamar.

Assuntos como Eficiência Comercial e Eficiência de Capital foram abordados como soluções para que a transformação e a busca por produtividade seja não apenas prática e possível, mas efetivamente implementada nas empresas, nos negócios, e consequentemente, refletida no país. “O lado mais positivo da crise, se é que é possível falar assim, é que ela propicia um cenário positivo para a mudança”, afirmou. “É preciso ser mais simples e mais eficiente. É preciso questionar o que pode ser feito diferente e implementar, de fato, estas mudanças, questionando regras e crenças antigas, muitas vezes enraizadas na cultura da empresa.” E nem sempre estas mudanças devem começar na base da pirâmide. “Rever a gerência, por exemplo, é importante. Um número excessivo de camadas gerenciais, de burocracia excessiva, com muita gente para dar a palavra e decidir algo, torna-se um bom caminho para facilitar a tomada rápida de decisão”, exemplificou. Para isso, claro, é preciso o engajamento de todos. “Trata-se do momento ideal para alinhar todos na empresa, para que, juntos, busquem ganhos e efeitos reais.”

Já Aod Cunha, sócio do BTG Pactual e ex-secretário da Fazenda do governo Yeda Crusius, falou sobre o cenário macroeconômico internacional e nacional, os desafios e oportunidades deste panorama e como se posicionar no atual momento de ajuste fiscal. “O esforço que está sendo liderado pelo ministro Joaquim Levy não é fácil. E quem pode tomar uma atitude mais sofisticada, ‘fora da caixa’, também corre riscos se o país não conseguir recuperar um mínimo de credibilidade na política econômica em curto prazo. Não é o que se espera, mas pode acontecer”, analisou. “É preciso enfrentar um ajuste fiscal mínimo que dê a capacidade de o país manter sua nota de crédito como investidor e o governo conseguir voltar a contar uma história de crescimento o mais rápido possível, sobretudo em relação à infraestrutura.” Aod Cunha lamenta, contudo, que mudanças mais substanciais, como aporte na qualidade da educação, reformas tributárias e previdenciárias efetivas, possam ser feitas ainda no período de vigência deste governo.

Questionado sobre o que fez efetivamente em seu período como secretário da Fazenda do governo Yeda Crusius, Aod se defendeu. “Enfrentamos um quadro de atraso de pagamentos de fornecedores, de pagamento de funcionários, de 13º salários. Eu tinha que optar. Entre 2007 e 2009 não houve aumentos de salários, por exemplo. É impossível fazer qualquer coisa com desarranjo financeiro. A desorganização financeira não te permite pensar o médio e o longo prazo.”