Empresários devem intensificar investimentos em inovação no próximo ano, de acordo com economista do HSBC

por andre_inohara — publicado 11/10/2012 11h58, última modificação 11/10/2012 11h58
São Paulo – Com economia estabilizada e em crescimento, interesse por novas tecnologias tende a ser reforçado entre as companhias.
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O fraco crescimento previsto para este ano já foi assimilado pelos empresários, que começam a se preparar para aumentar a produtividade e a participação de mercado em 2013. As estimativas do banco HSBC para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste e no próximo ano são de 1,7% e 3,8%, respectivamente.

Para André Loes, economista-chefe do HSBC, as companhias vão buscar eficiência por meio da inovação. “Pouco a pouco, as empresas estão começando a se aventurar nisso (pesquisa e desenvolvimento) e é importante que o façam. Em várias enquetes que comparam o nosso setor privado ao internacional, vemos uma situação onde o Brasil perde (competitividade) por falta de inovação”, comentou.

Loes foi o mediador do seminário Business Round Up – Perspectivas para 2013, promovido pela Amcham-São Paulo na terça-feira (09/10). Após o evento, o economista do HSBC conversou com o site da Amcham. Leia abaixo a entrevista de Loes.

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Amcham: O que se pode esperar da economia para 2013?

André Loes: As pessoas estão mais otimistas do que há seis meses, apesar da série de gargalos [estruturais] no Brasil. Todos os debatedores colocaram pontos em comum ligados à busca de mais eficiência, tanto em mão de obra como oferta de infraestrutura. Outro ponto que aparece em muitas enquetes e pesquisas é o relacionado à inovação. Há, claramente, aspectos públicos relacionados à educação e o arcabouço de pesquisa universitária no País, mas também outros associados ao setor privado.

Amcham: A que aspectos o sr. se refere?

André Loes: O País sempre teve tradição de muita volatilidade [econômica], então os investimentos em inovação, que são de longo prazo, foram deixados de lado. Pouco a pouco, as empresas estão começando a se aventurar nisso e é importante que o façam. Em várias enquetes que comparam o nosso setor privado ao internacional, vemos uma situação onde o Brasil perde [competitividade] por falta de inovação. Estamos em um país onde não faltam perspectivas; Só temos que nos acertar para aproveitar bem esse momento, porque há vários países que nem perspectiva [otimista] têm.

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Amcham: Setores como o varejo e o aéreo, ligados ao consumo, falaram no seminário sobre a importância da inovação. Como ela pode ajudar esses setores?

André Loes: No final das contas, se a empresa não tem capacidade de produzir mais nem consegue melhorar a oferta, então chegou ao limite. A saída para atender o mercado é aumentar as importações [de bens para revenda ou insumos produtivos], mas o ponto é que, se há limitação de oferta, basicamente isso é compensado pelas importações. Uma empresa não cresce mais só porque a demanda aumentou. Ela tem que expandir a oferta. Não estou dizendo que as importações são ruins. Importar é bom, temos que ter um comércio exterior dinâmico.

Amcham: Que impacto o sr. prevê para a indústria e o PIB (Produto Interno Bruto) como consequência das medidas anunciadas pelo governo de desoneração da folha de pagamentos e energia?

André Loes: A indústria era o setor que sofria mais, e o impacto da desoneração de folha e energia será relevante, conforme a pesquisa da Amcham [apresentada no evento]. Também é preciso adicionar a depreciação cambial [desvalorização do real] que não afetou alguns setores, como serviços. Parte desse setor só tem custo local e não tem competição internacional. Para a indústria, [o efeito das medidas] é muito importante, seja para os transformadores ou os que estavam sofrendo concorrência maior dos importados. Diria que a soma desses três pontos – câmbio [depreciado], desoneração da energia e da folha – aumenta a rentabilidade das empresas e as estimula a produzir mais.

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Amcham: Como o sr. avalia a iniciativa do governo de lançar um programa de investimentos voltado a concessões rodoviárias e ferroviárias?

André Loes: O pacote de investimentos em concessões rodoviárias e ferroviárias [lançado em agosto] é importante para tudo, não só para bens tangíveis e indústria, mas para serviços e outros setores. Temos gargalo de infraestrutura em todos os níveis, por isso foi bom o governo ter proposto um programa de concessões que toca ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, e que não está restrito a um ou dois modais apenas.

Amcham: O novo modelo de concessões é mais atrativo para o setor privado?

André Loes: Temos que ver as propostas contidas nos editais de leilão para saber que condições o governo coloca. A forma como se preparam os editais faz toda diferença, e é determinante para atrair bons operadores [logísticos] ou não. Há questões de remuneração e experiência mínima de quem pode entrar. Pela própria avaliação do governo, por exemplo, os leilões dos aeroportos podiam ter obtido resultado melhor que o que conseguiram. Eles [o governo] não falaram oficialmente, mas deixaram isso no ar. É por isso que temos que aprender com os processos, fazendo propostas que sejam as melhores possíveis para atrair bons operadores a um custo adequado. Não adianta querer que o custo seja lá embaixo e não ter bons operadores. É essa combinação que vai fazer com que o PIB potencial se eleve.

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Amcham: Quais as projeções para PIB, câmbio e inflação do HSBC para 2012 e 2013?

André Loes: Para este ano, projetamos crescimento do PIB de 1,7%, câmbio a R$ 2 e inflação de 5,3%. Para 2013, estimamos o PIB em 3,8%, câmbio a R$ 2,1 e inflação de 5,5%.