Pesquisa Amcham: empresários apontam queda de interesse estrangeiro e redução de investimentos em 2016

publicado 15/10/2015 16h23, última modificação 15/10/2015 16h23
São Paulo – Na percepção de 77% dos executivos, o custo Brasil, a perda do grau de investimento e a volatilidade do cenário político farão o país perder atratividade
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O empresariado teme a queda do interesse estrangeiro no país e planeja cortar investimentos e postos de trabalho em 2016, mostra pesquisa Amcham realizada com 400 executivos durante o Seminário Brasil 2016, quinta-feira (15/10). A desaceleração da economia nacional é o principal motivo, indicam os respondentes.

O seminário reuniu economistas, líderes setoriais e CEOs para discutir as perspectivas políticas e econômicas para o próximo ano (veja os links abaixo).

Na percepção de 77% dos executivos, o custo Brasil, a perda do grau de investimento e a volatilidade do cenário político farão o país perder atratividade e, consequentemente, posição no ranking mundial de investimentos no próximo ano.

Questionados sobre as projeções para 2016 em comparação com 2015, 48% dizem que os investimentos estarão em queda e 38% estáveis. Sobre o número de funcionários, 40% projetam queda, enquanto 43% indicam estabilidade e somente 8% projetam crescimento.

Para 42% dos executivos, a principal preocupação externa, para o próximo ano, é a desaceleração da economia brasileira. A carga tributária é o segundo colocado, com 14%, seguida de ausência de investimentos públicos e privados a médio e longo prazos e do aumento dos custos e financiamento, cada um com 9% das respostas.

O Brasil é muito representativo nos negócios dos grupos de 51% dos respondentes, moderadamente representativo em 23% dos casos e pouco para 26%.

Questionados sobre o papel do setor privado na retomada do crescimento diante das limitações orçamentárias do governo para efetuar investimentos no próximo ano, 36% dos executivos apostam em uma maior proximidade com o governo para influenciar as políticas públicas. Outros 34% indicam o incremento nas PPPs (parcerias público-privadas) e 31% consideram a busca de oportunidades de exportação e investimentos em outros países.

O negócio em perspectiva

Ainda sobre as projeções para 2016 em comparação a este ano, 39% dizem que as vendas serão estáveis, enquanto 36% acreditam que serão crescentes e 25% esperam queda. Em relação ao lucro, 44% apontam estabilidade, 26% crescimento e 31% queda.

Sobre o market share, 55% esperam estabilidade e 23% aumento, enquanto 11% projetam redução. Já sobre a expansão operacional, 48% avaliam que haverá estabilidade e 30% queda; 23% aguardam crescimento.

Para 42% dos empresários, as estratégias comerciais (canais de venda, promoção, ações cooperadas e descontos) serão o maior foco de investimento no próximo ano; 23% apostam em outras ações para ganho de produtividade e 16% elegem ações de marketing (lançamento de produtos, comunicação, mídias sociais, feiras e eventos).

Para 49%, o sudeste será a região de expansão da operação ou comercialização.