Empresas brasileiras estão saindo do Brasil em função da baixa competitividade, diz presidente da Usiminas

por giovanna publicado 30/06/2011 16h29, última modificação 30/06/2011 16h29
Belo Horizonte – Para Wilson Brumer, Brasil precisa simplificar a forma de fazer negócios e estruturar a ampliação da infraestrutura.

A baixa competitividade da economia brasileira está levando várias empresas a produzirem fora do País, atraídas por custos mais baixos. Para Wilson Brumer, presidente da Usiminas, o Brasil deveria reduzir a burocracia para melhorar o ambiente de negócios e aproveitar a Copa do Mundo e as Olimpíadas para melhorar a logística do País como um todo.

Veja os principais trechos da entrevista que Brumer concedeu ao site da Amcham logo após participar do seminário Competitividade Regional, promovido pela Amcham em Belo Horizonte como parte do projeto “Competitividade Brasil – Custos de Transação” na última terça-feira (28/06):

 

Amcham: Minas sediará jogos da Copa do Mundo. O que isso representa para o Estado, em termos de desenvolvimento econômico?
Wilson Brumer:
Tanto a Copa como as Olimpíadas no Brasil são acontecimentos que devem ser utilizados para melhorar a logística de infraestrutura como um todo, pois ela não é adequada para o desenvolvimento do País. Esses eventos marcam uma data, o que não nos permite atrasar.

 
Amcham: Como a escassez de infraestrutura afeta as empresas?
Wilson Brumer:
Independente da Copa, o Brasil precisa atacar seus problemas de competitividade, e a infraestrutura é um deles. Ela é algo mais amplo do que estradas, ferrovias e energia. Tudo isso faz parte, mas também envolve preparar pessoas adequadas e oferecer um ambiente propício aos investimentos. O Brasil perde muito com a falta de competitividade.


Amcham: Que caminhos o Brasil deveria trilhar para melhorar sua competitividade?
Wilson Brumer:
Temos de tornar o Brasil mais simples e ter ambientes de negócios mais favoráveis. Há problemas macroeconômicos, como a questão cambial e a alta taxa de juro, além de questões do dia a dia que precisam ser atacadas e resolvidas – entre elas, a guerra fiscal, fator que limita a competitividade ao reduzir a capacidade de investimentos em muitos segmentos da cadeia produtiva no Brasil. Hoje é mais barato produzir fora do Brasil.


Amcham: A indústria é o setor mais afetado pela falta de competitividade. O que pode ser feito para revitalizar o setor?
Wilson Brumer:
No Brasil, o setor industrial tem perdido muita participação no PIB (Produto Intero Bruto) total nos últimos anos. A indústria tem uma fatia de cerca de 15% da riqueza produzida, a mesma da década de 50. Pode-se discutir que o PIB atual é maior, mas o fato é que a indústria perdeu importância. Em outros países, aconteceu a mesma coisa, mas eles tinham outro direcionamento para a sua economia.