Empresas brasileiras já reconhecem vantagens da implantação do novo padrão contábil, o IFRS

por giovanna publicado 09/12/2011 16h32, última modificação 09/12/2011 16h32
Dirceu Pinto
São Paulo – Pesquisa da Deloitte aponta que ampliação da transparência nas demonstrações financeiras é vista como principal ponto positivo.
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As normas internacionais de contabilidade, conhecidas internacionalmente como IFRS, adotadas integralmente no Brasil neste ano, trouxeram impactos positivos para os negócios no País. Pesquisa da consultoria Deloitte, em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), aponta, entre outros pontos, que 58% das companhias consultadas reconhecem que o novo padrão contábil gerou maior transparência nas demonstrações financeiras.

“O IFRS representou um grande salto na transparência financeira das companhias, e hoje é uma dais mais importantes ferramentas de esclarecimento aos investidores. Os balanços das empresas ganharam linguagem universal, o que facilita leitura e comparações contábeis dentro do mesmo segmento”, explicou Luciano Ferreira da Cunha, consultor da Deloitte, que participou nesta sexta-feira (09/12) do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo.

A sondagem intitulada “Os Impactos da Implementação da IFRS no Brasil”, que contou com a participação de 46 companhias abertas com faturamento conjunto de cerca de R$ 40 bilhões em 2010, aponta que outros pontos impactados positivamente foram: sistemas de gestão e controle (49%), controles internos (47%), avaliação de ativos (42%) e integridade das informações (42%).

“Tais resultados reforçam que os impactos positivos do IFRS vão além da contabilidade. O novo padrão obrigou as empresas a reverem processos e sistemas de gerenciamento de informação e, com isso, gerou melhoras na gestão dos negócios como um todo. Além disso, trouxe uma maior conscientização das diversas áreas operacionais sobre a importância das informações repassadas“, argumentou o consultor.

Na visão das empresas sondadas na pesquisa, o IFRS também está influenciando positivamente as decisões dos investidores (78%), a percepção do mercado sobre o negócio (71%) e a eficiência das companhias do mercado de capitais (65%). Uma fatia de 64% avalia que é o IFRS é mais do que uma norma contábil e representa um benefício às empresas. 

GOL reconhece vantagem

A companhia área Gol é uma das empresas que já se dão conta das vantagens de transparência geradas pelo novo padrão contábil. A companhia aérea, que anunciou em julho deste ano a aquisição da Webjet, teve o processo de incorporação da concorrente facilitado devido à implementação do IFRS.

“O processo de leitura dos balanços dentro do novo padrão contábil é um pouco mais complexo, mas, em vez de simplesmente ser um laudo de avaliação de ativos, ele fornece informações mais realistas e transparentes da situação financeira e contábil da companhia”, afirmou Rodrigo Alves, diretor de Planejamento da Gol, que também participou do comitê.

Gastos com o IFRS

Apesar de as companhias reconhecerem vantagens na sua implementação, o novo padrão contábil vem representando uma ampliação de gastos corporativos com contabilidade e relacionamento com investidores. O IFRS brasileiro ainda é apontado por especialista como complexo e com pontos que necessitam de ajustes e simplificação.

“As empresas tiveram de investir em processos e novos sistemas de gerenciamento de informação contábil. Além disso, existiu uma necessidade de capacitação de mão de obra para lidar com a nova realidade. Hoje ainda existe uma necessidade de simplificar os balanços, que são apontados como longos e complexos”, argumentou o consultor da Deloitte Luciano Ferreira.

O advogado e tributarista Celso Costa, sócio da Machado Meyer Advogados, lembra que o Brasil é o país que mais demanda horas de trabalho de contabilistas no preparo das demonstrações financeiras e obrigações fiscais.

“Antes já éramos o país mais complexo nesse sentido e, com o IFRS, as empresas precisaram aumentar ainda mais sua atenção e força de trabalho. Essa complexidade afeta a competitividade dos negócios e o dia a dia das empresas”, argumentou Costa.

Brasil e mundo

O IFRS começou a ser utilizado na União Europeia em 2005 e atualmente está presente em mais de 110 países – em alguns já consolidado e em outros em processo de conversão. No Brasil, a lei 11638/07 foi o marco legal para a convergência obrigatória ao IFRS pelas companhias de capital aberto, limitadas de grande porte (faturamento de R$ 300 milhões por ano ou ativos acima de R$ 240 milhões), instituições financeiras e seguradoras. O período de transição foi iniciado em janeiro de 2009 e o prazo limite para adequação foi 2010.

No final de 2009, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – formado por membros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Banco Central (BC), da Receita Federal, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da BM&FBovespa, entre outras entidades –, responsável pela promoção e pelo acompanhamento da adoção do modelo no País, desenvolveu um conjunto de normas específicas para a inclusão das pequenas e médias empresas no novo padrão, de modo menos complexo e com adesão opcional, o IFRS-PME.