Previdência privada começa a ser usada para atração e retenção de profissionais em médias e pequenas empresas

por andre_inohara — publicado 08/03/2012 15h48, última modificação 08/03/2012 15h48
São Paulo – Benefício está sendo incorporado para equiparar pacote de remuneração das grandes companhias.
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Oferecidos aos colaboradores como parte da remuneração, os planos privados de aposentadoria ganham espaço como ferramenta de atração e retenção de profissionais. Benefício antes limitado às grandes empresas, ele está sendo incorporado ao pacote de remuneração das médias e pequenas.

“Essas empresas também têm o desafio de crescer em um Brasil mais competitivo, e vão buscar empregados nas grandes empresas. Para isso, terão que montar uma remuneração similar”, afirma Mauro Pereira, consultor sênior da área de Retirement da assessoria de recursos humanos Mercer.

Grandes empresas também têm ampliado a adesão ao plano. “Há cerca de 20% que ainda não aderiram ao benefício entre as cem maiores empresas do ranking da revista Exame, mas esse percentual já foi maior em anos anteriores [demonstranstrando penetração cada vez maior da estratégia]”, observou Pereira, em entrevista após o comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo, que ocorreu nesta quinta-feira (08/03).

Esses planos de previdência privada complementar são oferecidos pelas empresas em caráter fechado (só os funcionários e associados podem contribuir), que formam um fundo de pensão gerido por entidades sem fins lucrativos.

De forma geral, a contribuição é feita mensalmente pelos colaboradores, com uma parte do salário, e pela empresa, que deposita valores proporcionais aos rendimentos de seu quadro de contribuintes.

Vantagens da previdência privada

Há vantagens tanto no aspecto econômico como motivacional. Uma delas é que os planos de previdência privada têm abatimento fiscal, pois podem ser deduzidos da despesa operacional da companhia, segundo o consultor.

Esse tipo de beneficio também é dedutível para o profissional pessoa física. Entre um pacote de ações (que não permite dedução) ou plano de previdência, o colaborador vai preferir a previdência porque ele poderá deduzir suas contribuições como pessoa física. “O governo dá incentivos muito importantes, e essa é a razão de ela estar crescendo de forma acelerada”, destaca o consultor.

Os custos com o benefício também compensam. “Estamos falando de planos que podem custar até 5% do valor nominal da folha de pagamento, o que é caro. Mas, sem isso, a organização terá que oferecer outra coisa mais onerosa, como aumento salarial.” O retorno para a empresa deve ser medido em atração e retenção de talentos, ainda conforme Pereira.

Retenção de jovens talentos

A previdência privada também está sendo usada para segurar nas organizações os colaboradores mais jovens, faixa etária onde a rotatividade tende a ser maior. Os departamentos de RH mapeiam os talentos internos para preparar planos de previdência baseados na carreira que vislumbram para esses profissionais.

“Se a empresa consegue comunicar aos profissionais mais jovens que a previdência privada o ajuda a montar seu patrimônio, ele acaba participando, mesmo que tenha uma visão de curto prazo”, afirma.

Vale destacar que muitos planos prevêem o resgate total da contribuição na hora de desligamento. “Se ele permanecer cinco anos, vai receber uma quantia equivalente e que vai compor seu patrimônio”, explica Pereira.

Independente da faixa etária, a previdência é uma proteção contra a perda de poder aquisitivo no momento da aposentadoria. “Além da aposentadoria pela previdência social, os planos privados são uma ferramenta financeira para a formação de patrimônio no futuro.”