Energia elétrica deverá ficar mais cara até o final do ano, alerta diretor geral do ONS

publicado 02/05/2017 10h29, última modificação 02/05/2017 11h02
São Paulo – Secas prolongadas e clima instável contribuem para encarecimento
Luiz Eduardo Barata

Luiz Eduardo Barata Ferreira, diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no comitê de Energia da Amcham SP

Não há risco de desabastecimento, porém a energia elétrica deve ficar mais cara ao longo de 2017, de acordo com Luiz Eduardo Barata Ferreira, diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Barata atribuiu o encarecimento às condições climáticas adversas dos últimos anos, sobretudo com a seca prolongada na região Nordeste. “Na bacia do Rio São Francisco, estamos no sétimo ou oitavo ano de recessão climática, o que reduziu bastante a geração nas usinas da região. Diminuída, terá que ser substituída por outra, por uma geração térmica. Ainda que assegurado o suprimento, essa energia se torna mais cara”, explicou, durante reunião do comitê de Energia da Amcham - São Paulo no dia 25/04.

No Brasil, a maior parte da energia elétrica provém de usinas hidrelétricas - cerca de 70%, segundo Barata. A maior parte do potencial hidrelétrico do país já foi explorado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas a ONS pretende explorar mais. “O resto está na região Amazônica e não tem condição de construir reservatórios. É complexo, politicamente e ambientalmente é praticamente impossível. Essas usinas serão diferentes das que tivemos até agora. Nós tínhamos usinas com grandes reservatórios e as que virão não terão. A saída será buscar outras fontes”, comentou.

Essas outras fontes seriam, majoritariamente, renováveis - como a eólica, que vêm crescendo de forma rápida, principalmente no Nordeste. Até 2021, a previsão é que as usinas eólicas correspondam a 10% da energia gerada no país. Esse investimento é importante, pois ajuda o país a atender compromissos que assumiu na área ambiental. Em compensação, há também um aumento na complexidade da operação. “Essas fontes são intermitentes, temos variações bruscas de geração a partir das fontes eólicas porque não temos controle nenhum sobre o vento. Temos dificuldade de prever o volume de vento e, mesmo prevendo, ele varia ao longo do dia e mesmo em horas. Isso precisa ser compensada por outras formas de geração”, afirma.

Se não há problemas na geração de energia, o mesmo não acontece na transmissão, segundo o diretor. Esses problemas acabam criando gargalos importantes, especialmente na transmissão da energia gerada na usina em Belo Monte (PA) e também impede a instalação de mais plantas eólicas no Nordeste. “Se nós tivéssemos hoje a necessidade de instalar mais [usinas] eólicas no país, não poderíamos instalar nos melhores locais - no Rio Grande do Norte e Bahia - porque não temos condição de escoar essa energia para os centros de consumo”, explica.

No entanto, as perspectivas para os próximos anos são boas, segundo o diretor da ONS. O último leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para linhas de transmissão terminou com 31 dos 35 lotes arrematados nessa segunda-feira, 24, totalizando mais de R$ 12 bilhões em investimentos nessa área. “Para o futuro, em quatro ou cinco anos, a expectativa é que teremos o problema da transmissão solucionado”, comentou.

 

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