Entidades defendem mais profissionalização e menos entraves a investimentos nos portos

por giovanna publicado 20/01/2011 16h52, última modificação 20/01/2011 16h52
André Inohara
São Paulo – Maior autonomia financeira, operacional e administrativa e menor burocracia estão entre recomendações.
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A administração portuária no Brasil precisa de mais gestão e menos burocracia. Para eliminar a ineficiência, é necessário dar aos terminais maior autonomia financeira, operacional e administrativa. A receita foi apresentada por Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), nesta quinta-feira (20/01) no comitê de Logística da Amcham-São Paulo.


“Essa gestão deve ser feita por administradores selecionados no mercado e avaliados pela meritocracia”, acrescentou Manteli.
Ele também sugeriu que a estrutura dos portos, hoje subordinada ao governo, ganharia se fosse adotado o sistema de PPPs (Parcerias Público-Privadas), com metas de produção e mandatos fixos para as diretorias.


Manteli comenta ainda que a administração portuária é bastante influenciada por critérios políticos em detrimento dos administrativos, ponto a ser revisto. “Em oito anos, trocaram oito vezes o presidente da (Companhia das) Docas na Bahia (em função de indicações políticas). No porto do Rio Grande do Sul, mudaram quatro vezes em quatro anos. Esses dirigentes não têm tempo para administrar nem mandato (de gestão).”


Outras questões-chave para o avanço nos portos brasileiros estão ligadas a melhores condições para investimentos e ampliação de estrutura física e de pessoal, como defende Elias Gedeon, presidente da Centronave, associação que reúne empresas de navegação. Segundo ele, esses temas necessitam se tornar prioridade para o novo governo.


“Nossas propostas são criar maior liberdade para investimentos em terminais marítimos, facilitar a construção de novos espaços nas retro-áreas, ou seja, armazéns para possibilitar desembaraços aduaneiros, e reforçar o quadro de fiscais da Receita Federal”, observou Gedeon.


Portos brasileiros não atendem à demanda


A deficiência operacional dos portos brasileiros para atender às demandas de recebimento e despacho de produtos aumenta a cada ano. Segundo dados da Centronave, o volume de contêineres no Porto de Santos, o maior do País, aumentou 215% nos últimos dez anos. No mesmo período, a expansão de área de acostável (cais) foi de apenas 23% e a de área alfandegária, 20%.


Com isso, os navios que chegam para descarregar ou embarcar mercadorias têm de esperar mais tempo. Muitos deles cancelam a parada e seguem para outros portos como forma de diminuir seus gastos. As projeções da Centronave para os sobrecustos totais por conta de demoras em Santos são de US$ 95 milhões por ano.


Além do espaço restrito, outra causa para atrasos é o excesso de burocracia. Há um repertório de leis extenso e confuso, assim como elevadas exigências em relação a licenças e autorizações por parte dos órgãos responsáveis pelo gerenciamento do setor.


Apesar das dificuldades, Manteli se revela otimista e acredita que a nova presidente, Dilma Rousseff, de perfil mais “pragmático” que seu antecessor, será uma grande inimiga da burocracia. “Ela tem uma visão clara das necessidades do Brasil e de que a burocracia atrapalha o desenvolvimento.”