Envelhecimento da população vai aumentar gastos com saúde, diz CEO da UnitedHealth

publicado 19/10/2017 13h39, última modificação 19/10/2017 15h29
São Paulo – Para Claudio Lottenberg, tratamentos prolongados e sofisticados serão mais frequentes
Claudio Lottenberg

Claudio Lottenberg, da UnitedHealth. É preciso melhorar a eficiência do sistema de saúde pública e privada para atender melhor à população

À medida que a população brasileira envelhecer, os gastos com saúde vão aumentar, afirma Claudio Lottenberg, CEO da UnitedHealth. “Viver mais vai exigir de todos nós uma contribuição maior, e ela se fará com valores e períodos maiores”, comenta, no Fórum de Saúde da Amcham – São Paulo na segunda-feira (9/10).

Lottenberg formou um painel de debates com os CEOs do Fleury, Carlos Alberto Iwata Marinelli, e Gaetano Crupi, da Bristol-Myers Squibb. Viktor Andrade, sócio da EY, moderou as discussões.

Com o aumento da expectativa de vida, os tratamentos médicos serão mais frequentes e sofisticados, o que vai aumentar os custos. Para garantir o acesso à saúde, empresas e governo precisam trabalhar na conscientização dos consumidores sobre o processo, de acordo com Lottenberg. “Se as pessoas não entenderem que precisam contribuir, não haverá quem poderá arcar com esse custo.”

Ao mesmo tempo, o executivo defende a mudança no sistema de saúde, que privilegia o pagamento por procedimentos, e que incentiva o pedido indiscriminado de exames pelos usuários. “Gastamos 30% a mais no sistema com exames redundantes, falhas processuais e custos desnecessários. Isso sem falar em fraude e práticas antiéticas. O paciente tem que ser conscientizado sobre isso”, argumenta.

Para ele, é preciso combater a ineficiência do sistema com um modelo baseado no tratamento assistencial e preventivo. O uso de tecnologias que integrem as informações médicas do paciente em um prontuário eletrônico também daria eficiência ao setor.

Marinelli, do Fleury, também é favorável ao aumento de eficiência na cadeia da saúde. Uma das iniciativas é limitar a realização de exames de resultados imutáveis – que não mudam, independente do tempo em que ele é realizado. “Se esse exame for repetido sem necessidade específica, seria redundância”, afirma.

Desafios e oportunidades

À medida que as preocupações com o atendimento à saúde aumentam, criam-se também oportunidades de desenvolvimento. O Brasil vai acompanhar a tendência mundial de envelhecimento populacional. Até 2050, a população global acima de 60 anos vai dobrar. De acordo com Crupi, da Bristol-Myers Squibb, a necessidade crescente de cuidados com a saúde por parte dessa população está criando uma “tormenta perfeita” para a indústria.

“Com o envelhecimento da população, teremos uma demanda crescente de mercado. Haverá mais consumidores entrando na fase em que consomem mais produtos de saúde e a indústria, por sua vez, está desenvolvendo produtos para esse grupo.”

Crupi também defende o uso mais eficiente dos recursos públicos na saúde. De acordo com ele, o Brasil gasta 9% do PIB na saúde pública, mesma proporção do Reino Unido, e abaixo do Canadá (11% do PIB).

Desse montante, o governo repassa 46% dos recursos públicos para o SUS (Sistema Único de Saúde), enquanto que o Reino Unido financia 83% do seu sistema e o Canadá, 73%. “Se partirmos da premissa constitucional que temos que prover serviços universais, vemos que essa conta não vai fechar”, argumenta. 

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