Brasil tem energia assegurada até 2014, segundo Empresa de Pesquisa Energética

publicado 15/12/2010 18h04, última modificação 15/12/2010 18h04
Daniela Rocha
São Paulo - Oferta sustenta crescimento econômico de até 7% ao ano, informa Mauricio Tolmasquim, presidente do órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia.
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O Brasil tem oferta de energia suficiente para sustentar uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de até 7% ao ano até 2014, segundo Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão de planejamento do Ministério de Minas e Energia. 

De acordo com ele, a presidente Dilma Rousseff terá pela frente um cenário de maior tranquilidade em comparação com a época em que o presidente Lula assumiu.

Tolmasquim participou na quarta-feira (15/12) do comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo. Após a reunião, ele concedeu entrevista ao site da entidade sobre os desafios do setor energético brasileiro. Acompanhe:

Amcham: Como será a relação entre oferta e demanda de energia elétrica nos próximos anos. Há segurança? Quais os desafios para a nova presidente?

Mauricio Tolmasquim: O Brasil está em uma situação muito tranquila. A oferta que o País tem de energia elétrica hoje e até 2014, já assegurada, permite um crescimento econômico num ritmo de 7% ao ano. É claro que nosso cenário é de uma ampliação de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) ao ano. Dessa maneira, ainda ficará um excedente, mas é possível suportar um incremento da ordem de 7% ao ano. Portanto, a nova presidente Dilma Rousseff herdará um Brasil com uma situação muito melhor do que o presidente Lula recebeu e isso muito por mérito dela. Quando Dilma foi ministra de Minas e Energia, implementou o novo marco regulatório, permitindo uma expansão sólida do setor. As distribuidoras, antes em situação complicada, hoje estão fortalecidas. O País também possui, atualmente, um número muito maior de geradores devido a mais aportes de investidores nacionais e estrangeiros. O modelo de leilões é competitivo e transparente, garante ao consumidor que está sendo contratado o menor preço possível.

Amcham: Então há um certo conforto até 2014... Nesse cenário, quais devem ser as prioridades do próximo governo?

Mauricio Tolmasquim: O que já estamos fazendo é cuidar do período seguinte. Estamos financiando o leilão para 2015.  O próximo governo deverá acompanhar e garantir que as obras contratadas saiam realmente dentro dos cronogramas. Outro ponto importante é a questão da renovação das concessões das distribuidoras e geradoras, que terá de ser tratada agora no início do mandato de Dilma.

Amcham: O sr. acredita que os cronogramas das obras das grandes hidrelétricas serão de fato cumpridos?

Mauricio Tolmasquim: Os cronogramas estão sendo adiantados. Os leilões de energia de Santo Antônio e Jirau (em Rondônia) ocorrerão em 2012, ou seja, um ano antes. E a hidrelétrica de Belo Monte (Pará), que está sendo iniciada, também tem tudo para ter leilão mais cedo do que o previsto.

Amcham: O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou cortes no orçamento da União e a presidente eleita, Dilma Rousseff, também tem comentado a necessidade de contenção dos gastos públicos. A redução orçamentária pode afetar de alguma maneira o segmento energético?

Mauricio Tolmasquim: Muito pouco porque, no setor energético, os investimentos são privados. Poderia afetar no que diz respeito aos financiamentos, mas não acredito nisso.

Amcham: O setor energético brasileiro tem aproveitado esta fase positiva de entrada de capitais estrangeiros no País?

Mauricio Tolmasquim: No setor elétrico, há muitas empresas estrangeiras, como EDP, Endesa e Iberdrola. Na área de etanol, também há vários investimentos estrangeiros em destilarias. Portanto, há uma participação de capital internacional bastante importante, sim.

Amcham: O excesso de burocracia é problema apontado pelo setor privado, especialmente, em relação aos licenciamentos ambientais. O que pode ser aprimorado?

Mauricio Tolmasquim: Os licenciamentos devem ser feitos com critério. Temos trabalhado para que isso não represente demora e acho que estamos conseguindo avançar nesse sentido porque os processos de licenciamentos recentes têm sido mais ágeis. Vejo que é possível diminuir o tempo de análise mantendo o rigor.

Amcham: A matriz energética brasileira deve seguir com grande participação de fontes renováveis?

Mauricio Tolmasquim: O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo. Em termos de geração de energia elétrica, 90% vêm de fontes renováveis, sendo que, no mundo, apenas 18%. A tendência é o Brasil conseguir manter essa posição porque utilizou apenas um terço de seu potencial hidrelétrico e tem outras fontes renováveis que estão sendo aproveitadas.

Amcham: A cogeração vem sendo mais aplicada no País?

Mauricio Tolmasquim: Cada vez mais, as grandes indústrias estão autoproduzindo energia e cogerando - por exemplo, as dos setores de siderurgia, papel e celulose, alimentos e bedidas. Elas estão apostando nisso porque consiste na racionalização do processo produtivo.