Escassez de talentos é uma das maiores ameaças ao crescimento dos negócios, comprova pesquisa

por giovanna publicado 07/12/2011 19h15, última modificação 07/12/2011 19h15
Curitiba – Trata-se de uma preocupação global, não apenas brasileira.

Mais que uma preocupação, a escassez de profissionais qualificados é uma ameaça ao crescimento do Brasil e de mundo. Pesquisa da PriceWaterhouseCoopers (PwC) apontava já em 2008, antes da crise internacional, que CEOs em vários países viam a disponibilidade de competências-chave como o principal entrave à expansão dos negócios. Em 2011, novo levantamento mostra que o capital humano permanece entre os quatro principais impasses.


“O impacto da falta de talentos pode ser visto no dia-a-dia das empresas: há carência de pessoas para execução de projetos e obras, e os novos funcionários não apresentam a mesma qualificação dos profissionais anteriores. As limitações decorrentes afetam três esferas: expansão dos negócios, atraso de projetos e rendimentos, e perda de qualidade em alguns processos”, indicou João Lins, sócio diretor e líder de Gestão de Capital Humano da PwC. Ele participou juntamente com Rogério Bulhões, diretor de Desenvolvimento Organizacional do Grupo O Boticário, do CHRO Fórum promovido pela Amcham-Curitiba nesta quarta-feira (07/12).

Ainda de acordo com o diretor da PwC, apesar de o déficit de mão-de-obra especializada ser generalizado, as áreas mais críticas são as de conhecimento técnico e de alta gestão. Na pesquisa apresentada, 71% das empresas consideraram difícil ou muito difícil encontrar profissionais técnicos especializados e 74% apontam o mesmo obstáculo na busca por executivos.


“Não há sinalização de que a falta de talentos diminuirá ao longo da década”, complementou Lins. Segundo os dois palestrantes, diante desse cenário, boas práticas de gestão de pessoas e retenção de talentos tornam-se cada vez mais relevantes. Bulhões, que apresentou o case do grupo O Boticário, afirmou que o crescimento da organização acentuou essa visão.

Retenção de talentos

Para Bulhões, a retenção de talentos é apenas uma prática dentro de outra maior, a gestão de talentos. “É a retenção dos profissionais especializados que sustentará o crescimento da empresa”, explicou.

A manutenção da mão-de-obra dentro das organizações exige, segundo os palestrantes, uma série de investimentos. De acordo com Bulhões, os processos de identificação e de retenção talentos devem agregar planos de desenvolvimento de grupo e também das carreiras individuais.

Capacitação educacional, incentivo ao estudo de outros idiomas, experiências internacionais, participação em projetos e planos de coaching e mentoring foram algumas das tendências apontadas para a gestão de capital humano diante do contexto atual. Bulhões também indicou a necessidade de projetos específicos para desenvolvimento da geração Y, das mulheres e dos profissionais mais experientes dentro das empresas.

 

Outras soluções

Os dois palestrantes apontaram para a possibilidade da iniciativa privada participar do processo de formação profissional dentro do país. Na avaliação de Lins, uma saída viável é a parceria entre as próprias organizações para um maior investimento em pesquisa e desenvolvimento, principalmente nas áreas com maior defasagem, como a tecnológica.

Já Bulhões alertou para o papel social que as empresas devem cumprir dentro das comunidades onde estão inseridas. Para ele, cabe também às companhias o papel de cobrir o gap de conteúdo dos funcionários. “Claro que sem a contrapartida do poder público não é possível anular por completo esse problema, mas se todas as empresas investissem em capacitação já ajudaria e muito”, assegurou Bulhões.

Para o diretor do Grupo Boticário, os maiores impasses à adoção das práticas de gestão de talentos dentro das organizações são o receio da mudança e a dificuldade de encontrar patrocínio mesmo internamente.  Bulhões concluiu o evento alertando que os gestores devem enxergar os benefícios resultantes desses processos de gestão, encarando os custos com o treinamento e desenvolvimento de seus funcionários como um investimento para o próprio crescimento de seus negócios.  

Competitividade Brasil

A Amcham vem debatendo o tema da competitividade nacional, em particular a escassez de profissionais técnicos no País, por meio do programa Competitividade Brasil. Em seu segundo ano, o projeto realizou encontros em várias unidades regionais da entidade, incluindo Curitiba e conduziu pesquisas para captar a visão do empresariado. Recente seminário em São Paulo analisou especificamente a falta de profissionais qualificados. Acompanhe aqui.