Estabilidade política cria condição para PIB crescer 1,5% em 2017, segundo LCA

publicado 01/11/2016 11h04, última modificação 01/11/2016 11h04
São Paulo – O economista Fernando Sampaio aponta boa relação do governo com o congresso como fator de governabilidade
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Com a estabilidade política conquistada pelo novo governo, o Brasil deve crescer 1,5% em 2017, disse Fernando Sampaio, diretor de macroeconomia da consultoria LCA. “Desde que o Temer assumiu, a governabilidade foi normalizada. A boa relação do governo atual com o Congresso fez com que algumas medidas fossem aprovadas, como a limitação dos gastos públicos”, detalha, no comitê estratégico de Presidentes da Amcham – São Paulo em 25/10.

A recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) será baseada na volta da confiança do consumidor, trazida pela estabilidade política, e queda de juros. “Vai ser uma recuperação tímida. O juro menor vai baratear um pouco o crédito e gerar alguns investimentos”, detalha Sampaio. Em 2017, a LCA estima que o juro será de 11,75%. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano.

Parte do crescimento virá do comércio exterior brasileiro em função da desvalorização do real, porém em ritmo reduzido. “O setor externo vai ajudar pouco, porque o comércio global se encontra estagnado. Teremos exportação, mas não no mesmo nível dos últimos anos.” 

Do lado das medidas fiscais, a limitação de gastos do governo aprovada no congresso e a sinalização de que não haverá aumento de impostos também vão ajudar a recuperar a confiança na economia. “Com o ajuste fiscal, o governo poderá até gerar alguma receita não recorrente da venda de ativos”, continua o especialista.

Entre eles, Sampaio cita a venda total ou parcial de estatais como Eletrobrás e instituições coligadas ao Banco do Brasil, como o Banco do Nordeste e Banco da Amazônia. Concessões de aeroportos e estradas também podem ser incluídas como possíveis fontes de receita. 

No cenário mais pessimista para a economia, o PIB recuaria 1%, de acordo com Sampaio. “Isso aconteceria se a Operação Lava Jato chegar até o governo a ponto de criar impasse na relação com o Congresso. Mas a probabilidade de isso acontecer é menor do que o cenário de crescimento.”