Estado brasileiro é mau empresário, diz candidato João Amoêdo (Novo)

publicado 14/05/2018 16h55, última modificação 15/05/2018 11h03
São Paulo – Sem novas ideias e gestão, Brasil perderá cada vez mais competitividade, de acordo com o candidato

Tal como acontece em uma empresa bem administrada, o Brasil precisa focar no seu principal negócio (prover educação e segurança de qualidade, por exemplo), se desfazer de atividades paralelas (privatizar ativos) e ser mais eficiente (reduzir a burocracia). Essas são as linhas básicas do programa de governo de João Amoêdo, fundador e pré-candidato do Partido Novo à Presidência. Para ele, esse papel não está sendo bem feito pelo governo federal.

“O Estado é mau empresário. Ele não consegue dar conta da segurança e da educação básica. Não tem por que administrar instituição financeira, posto de gasolina, explorar petróleo e correios”, argumenta o presidenciável, no terceiro debate da série “Seu País, Sua Decisão – Presidenciáveis 2018” da Amcham-Brasil realizado na segunda-feira (14/5). O encontro foi realizado em parceria com o Brazil-US Business Council.

Amoêdo quer levar para o setor público as boas práticas de gestão das empresas. Para isso, conta com sua experiência como executivo e conselheiro de instituições financeiras. Ainda segundo ele, o estado brasileiro é grande demais para ser bem administrado.

O executivo é o terceiro presidenciável convidado pela Amcham para debater seus planos de governo. O primeiro foi Ciro Gomes, em 14/3, seguido por Henrique Meirelles, em 23/4. “Os exemplos se repetem. Existe muita má gestão, má qualidade de produtos e preços elevados. E, principalmente, essas empresas acabam sendo utilizadas, basicamente, como indicações políticas. Não tem como dar certo”, acrescenta.

Além de gestão por meritocracia, a proposta do Partido Novo é criar um modelo de privatização de ativos que estimule a concorrência, de acordo com o seu fundador. “Não podemos correr o risco de consolidar ainda mais segmentos da economia já muito concentrados. O setor financeiro é um exemplo disso. E também não podemos transferir monopólios públicos como, por exemplo, os correios, para monopólios privados. Tendo isso em mente, acho que as privatizações precisam ser feitas”, detalha.

Competitividade em queda livre

Com tanta burocracia, o estado não consegue criar medidas para destravar a economia. O reflexo, segundo Amoêdo, é a queda acentuada de produtividade. O Brasil ocupa a 153ª posição do ranking de Liberdade Econômica do Mundo, ao lado de Uzbequistão (152ª colocada) e Afeganistão (154ª). “A cada ano, o país perde competitividade. Temos problemas graves de infraestrutura, educação e ambiente de negócios”, lamenta.

Além de ineficiente, o setor público gasta demais com a classe política. Amoêdo cita que, entre salários, verbas de parlamentares e despesas gerais, o Congresso Nacional (Poder Legislativo) gasta 29 milhões de reais por dia. “Em um ano, a conta ultrapassa os dez bilhões de reais”, estima o candidato.

No Poder Executivo, a situação é parecida. As despesas anuais da Presidência da República chegam a 564 milhões de reais, mais do que a Coroa Britânica gasta por ano (348 milhões de reais). "A questão não é o valor, mas o exemplo de austeridade a ser dado", assinala Amoêdo.

Tudo isso faz com que o Brasil tenha os políticos mais caros do mundo. Aqui, o custo de um político chega a 16 vezes a renda média do brasileiro (1,268 mil reais em 2017, segundo o IBGE). Na Argentina, essa proporção é de 4,6 vezes, enquanto que nos EUA é 3,1 vezes.

Sem mudança de mentalidade, a ineficiência nos gastos vai continuar. Apesar da medida de limitação de gastos públicos anunciada pelo governo, é preciso fazer mais. “Para cobrir gastos, temos que mudar o conceito de aumentar impostos para o de redução de custos”, defende.

Série Presidenciáveis Amcham 2018

A Amcham é uma entidade apartidária e tem como objetivo fornecer aos nossos associados um espaço democrático para debates de ideias e para apresentação da Agenda da Amcham a cada um dos Presidenciáveis, contendo propostas para um Brasil + Competitivo e que levam à melhoria do ambiente de negócios no país.

A ordem dos encontros segue a disponibilidade de agendas dos pré-candidatos, e os próximos serão divulgados tão logo tenhamos as confirmações. Participe das discussões sobre o futuro do país que queremos.