Estruturação interna é ponto de partida para captação de recursos

por simei_morais — publicado 03/04/2013 15h24, última modificação 03/04/2013 15h24
São Paulo – Especialista da KPMG e executivos de três empresas dizem o que é necessário para planejar captação
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“Não falta capital, mas bons projetos”,  afirma Alan Riddell, sócio da área de Corporate Finance da KPMG. O que frustra muitas tentativas de captação de recursos é a inexistência de preparo interno das empresas para essas operações. Essa foi a chave da palestra de Riddell durante o comitê aberto de Finanças na Amcham – São Paulo nesta quarta-feira (03/04), que abordou quais as tarefas necessárias para a empresa se candidatar a uma captação.

Silvana Marmonti, sócia da doceria Amor aos Pedaços, Maurício Hasson, diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Vigor Alimentos, e Wilson Olivieri, diretor de Finanças da gestora de planos de saúde Qualicorp, foram convidados a apresentar os detalhes dos processos pelos quais suas empresas passaram, ao sair no mercado, em busca de capital.

Riddell comenta que há fundos internacionais grandes e pequenos estabelecidos no Brasil, para várias finalidades e fases de negócio, como private equity, venture capital e até mesmo Pré-IPO. O que eles procuram, diz, são projetos estruturados, com planejamento claro e objetivo, que permitam aos investidores analisá-los e decidir sobre os aportes. “Setores como infraestrutura, varejo e serviços em geral estão em alta. E também qualquer tipo de empresa que ofereça serviços e produtos à classe média é atrativo”, comenta.

O que os fundos analisam é se a empresa candidata possui um diagnóstico preciso sobre seu negócio, com visão clara das oportunidades, do plano de ação e das estratégias para executá-lo.

O especialista recomenda seis tópicos que todo plano de estruturação precisa contemplar, antes de buscar capital: qual a dinâmica do setor e os riscos; que uso a empresa fará dos recursos;  a capacidade de gestão do empresário e de sua equipe; se a governança corporativa está bem estruturada (o que permite condições mínimas de  “conforto”  aos investidores); e se a companhia planejou-se para quando o fundo retirar seus investimentos (para retorná-los aos investidores que o compõem).

“Os fundos querem que o dinheiro seja aplicado para multiplicar o negócio, nunca pagar dívida. Por isso é importante saber se a equipe gestora vai ser adequada para chegar ao ponto pretendido ou se é necessário fazer modificações”, ressalta Riddell. Além disso, ele afirma que o empresário deve ouvir o fundo de investimento, saber de onde vem e quais seus objetivos.

Leia os cases de captação de recursos da Amor aos Pedaços, da Vigor Alimentos e da  gestora de planos de saúde Qualicorp a seguir:

Amor aos Pedaços quer expandir franquias com sócio financeiro

Vigor reabriu capital após quatro anos e comprou concorrente

A escalada da Qualicorp com três captações de recursos em três anos