Para enfrentar desafio de transformar cortadores de cana em operadores de colheitadeiras, ETH busca oferecer oportunidade de carreira, não apenas emprego

por andre_inohara — publicado 20/10/2011 09h10, última modificação 20/10/2011 09h10
André Inohara
São Paulo – Estratatégia foi desenvolvida diante do fenômeno da mecanização de lavouras e da necessidade de qualificação dos profissionais, conta diretor de RH.
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A ETH Bioenergia, empresa do grupo Odebrecht que atua no setor sucroenergético, está investindo na qualificação de seus funcionários, em função do fenômeno de mecanização das lavouras.

Além do treinamento para operação de máquinas agrícolas, a ETH também foca o desenvolvimento profissional de longo prazo de seus colaboradores, conta Genésio Lemos Couto, diretor de Pessoas, Sustentabilidade e Relações Institucionais da ETH Bioenergia.

Couto falou ao site da Amcham na terça-feira (18/10), depois da realização do “Seminário Competitividade Brasil: Custos de Transação - Qualificação da Mão de Obra”, em São Paulo. Veja a entrevista:

Amcham: Quais são os programas de qualificação de mão de obra que a ETH possui?
Genésio Lemos Couto:
A ETH tem um efetivo de 15 mil pessoas e está presente em municípios onde a população somada chega a 127 mil habitantes. Assim, somos responsáveis por mais de 10% da geração de empregos nesses locais e enfrentamos dificuldade de qualificação.
Temos dois projetos. Um possui caráter social e se chama Energia Social. Ele consiste em capacitar as pessoas para o trabalho, com possibilidade de que sejam absorvidas tanto pela ETH como por outras empresas da região. É um programa que visa dar empregabilidade ao profissional. Essa experiência veio do programa Acreditar, do grupo Odebrecht, que foi aplicado na usina de Santo Antonio (RO). Mas o Energia Social envolve prefeitura, comunidade e empresa em um comitê comunitário que direciona a aplicação do programa. O outro programa, para os funcionários da ETH, consiste em realizar uma ampla qualificação no primeiro período da safra, de abril a setembro, o que já resultou no treinamento de 495 mil horas/ homem, com investimento de R$ 2,8 milhões. Estamos falando de um universo de 15 mil pessoas, com programas de qualificação de executivos, média gerência, lideranças básicas e os quase 10 mil funcionários das áreas agrícolas.

Amcham: O que motivou a ETH a investir em treinamento de pessoal?
Genésio Lemos Couto:
O setor sucroenergético está passando por mudanças. A forma de trabalho manual, onde a cana-de-açúcar era colhida por um funcionário que usa um facão de R$ 6, está sendo substituída pelas máquinas. Hoje, o trabalhador tem de operar uma colheitadeira de R$ 800 mil, e somos 100% mecanizados. Basicamente, nossa frente de trabalho é formada por equipes de cerca de 25 pessoas e se estende até 80 km fora da usina. Se nosso funcionário não estiver qualificado, fará um estrago nas pessoas, na plantação e na preservação ambiental. Temos dedicado tempo para conduzir essa mudança de paradigma no setor. A ETH precisa cumprir suas obrigações empresariais com responsabilidade social.

Amcham: Qual a necessidade de mão de obra especializada na ETH?
Genésio Lemos Couto:
Estamos totalmente mecanizados e precisamos de operadores de trator e colhedoras. Também necessitamos de mão de obra técnica industrial, como instrumentistas. Mas precisamos igualmente de gestores de pessoas porque ninguém quer sair de São Paulo e ir para o interior. Tivemos de nos valer das pessoas formadas em faculdades no entorno de nossa atuação. Ocorre que muitas vezes essas instituições não têm nível semelhante ao dos grandes centros, então acabamos por inserir nelas um processo de qualificação.

Amcham: O que é mais importante hoje, oferecer carreira ou remuneração?
Genésio Lemos Couto:
Carreira, sem dúvida. Para os jovens, o salário aparece em terceiro ou quarto lugar na escala de prioridades. Ele leva em conta a forma de treinamento, o espaço de crescimento e seu horizonte profissional. O jovem quer ferramentas melhores para gerenciar sua carreira. E na ETH não oferecemos emprego, mas carreira.

Amcham: As empresas de siderurgia de Minas Gerais se uniram para formar um consórcio de formação de mão de obra para o setor. Como uma proposta dessas seria vista pelas empresas sucroenergéticas?
Genésio Lemos Couto:
Em nossa área de atuação, nem sempre conseguimos empresas para fazer um consórcio desse tipo. Mas essa é uma iniciativa. Temos engajado pessoas dentro de uma filosofia de trabalho e cultura organizacional há mais de 60 anos no Grupo Odebrecht. Desenvolvemos um modelo próprio.