Ethos: Mulheres e negros tem baixa participação em cargos executivos

publicado 29/04/2016 14h21, última modificação 29/04/2016 14h21
São Paulo – Para Jorge Abrahão, presidente do Ethos, corrigir o desequilíbrio levaria 150 anos no caso dos negros
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Nas empresas, a participação de mulheres e negros em cargos executivos está bem abaixo do percentual que ambos os grupos representam na população brasileira, de acordo com Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos. “As mulheres são 51% da nossa população e os negros, 53%. Para que elas cheguem (nas empresas) à proporção que têm na sociedade, no ritmo atual vamos demorar 60 anos. Quanto aos negros, vai demorar 150 anos”, comparou, durante sua apresentação no Fórum de Diversidade da Amcham – São Paulo, ocorrido na quinta-feira (29/4).

Os dados fazem parte de uma pesquisa do Ethos sobre a participação de gênero e raça no Brasil, disse Abrahão. “O entendimento é de que temos o mapa de um país com potencial extraordinário para ser aproveitado, tanto nas questões de gênero como de raça. Esses dados devem servir para nos estimular, e não desanimar.”

Para Abrahão, a baixa inserção social é um motivo adicional para promover a diversidade nas empresas. “Um campo importantíssimo em que elas podem atuar é o campo da diversidade. Que vem como alternativa que combina criatividade, inovação e ambiente favorável. Ter uma empresa diversa significa estar atento e sensível aos problemas que ocorrem na sociedade.”


Outra vantagem da inclusão social nas empresas é que elas contribuiriam para atingir as metas de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). “Sobretudo na questão da erradicação da pobreza, que é o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). As empresas têm papel fundamental no tema”, assinalou Abrahão.


Adriana Carvalho, assessora para Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres, falou sobre a entidade que atua. Criada em 2014, a ONU Mulheres tem como lema a igualdade de gênero. “Em termos de população, as mulheres são 50% do planeta. Que elas consigam ser 50% dos espaços de poder e também em todos os aspectos da vida.”


Élida Lauris, secretária-executiva do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, defendeu a importância de tornar pública a causa da diversidade. “Lutar contra as exclusões que o poder gera deve ser exercitada em todos os espaços.”

A secretária também destacou a importância do Pró-Equidade, programa do governo federal que incentiva as empresas a promover ações de equidade de gênero e raça. “O racismo ainda funciona pela lógica da invisibilidade e não declaração. Há muito que fazer”, observou.