Everardo Maciel: “Empresários devem assumir posição inegociável contra aumento de tributos”

publicado 26/02/2016 15h59, última modificação 26/02/2016 15h59
São Paulo - Na Amcham, ex-secretário da Receita Federal debateu questões fiscais com empresários e CEOs
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“Os empresários devem resistir, assumir uma postura radical, intransigente e inegociável contra qualquer tipo de aumento de tributos”, afirmou o ex-secretário da Receita Federal (1995-2001) Everardo Maciel, em passagem pela Amcham - São Paulo, onde participou de reunião do Comitê de CEOs na sexta-feira (26/2). Atualmente, Maciel é professor do Instituto Brasiliense de Direito Público em Brasília e consultor tributário da Logos Consultoria Fiscal.

Para Everardo, “assumir essa postura significa obrigar o governo a explorar de forma transparente as possibilidades de enfrentamento da questão fiscal pela via da redução do gasto”. Sobre a medida de contenção de gastos apresentada recentemente pelo ministro Nelson Barbosa, o  ex-secretário da Receita ironizou: “pelo menos duas pessoas a consideraram pífia: eu e a Moody's (agência de classificação de risco). No caso da segunda, com consequências (rebaixamento da nota da dívida brasileira)".

A posição dos empresários deve ser forte, segundo Everardo, porque “a crise fiscal se origina inclusive em virtude da corrupção sistêmica”. E também porque “não foram adotadas medidas para prevenir a corrupção sistêmica e nada leva a crer que mais recursos não sejam destinados à corrupção”. Ele lembra que “houve alguém que disse, muito pertinentemente, que (aumentar imposto) para roubar, não".

Ao comitê de CEOs, Everardo procurou mostrar as raízes da crise fiscal e como ela surgiu. ”A principal explicação, segundo ele, está em uma sucessão de erros da política econômica”, complicado por “um cenário de discussões pouco consistentes e aprofundadas com muitos palpites e poucas soluções de um governo vacilante, contraditório, inconsistente e fraco.”