Falta de projeto adequado atrasa financiamentos de empresas junto ao BNDES

por marcel_gugoni — publicado 12/04/2012 17h30, última modificação 12/04/2012 17h30
São Paulo - Especialista em finanças diz que Brasil só crescer se ampliar investimentos em produção, mas empresas devem avaliar melhor seus projetos.
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A demora na aprovação de um financiamento pode inviabilizar projetos de expansão de qualquer empresa. Na avaliação do especialista em finanças Hugo Luna, gerente de Finanças Corporativas da Deloitte, muitas companhias falham na entrega de um projeto adequado que facilite o trabalho do maior banco de fomento do País, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Ele afirma que muitos não planejam adequadamente: faltam desde informações sobre as fontes de recursos até as projeções exatas do valor do empréstimo, do prazo do financiamento, das metas e dos objetivos desse aporte. “Não adianta ter uma ideia e no dia seguinte ir buscar um investimento. Há todo um processo que pode durar um bom prazo e é necessária uma modelagem a ser feita”, avalia. 

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“A qualidade da informação a ser entregue é que vai fazer o trâmite do pedido ser mais rápido ou mais demorado”, explicou ele em entrevista ao site, após participar do comitê estratégico de Finanças na Amcham-São Paulo, que debateu o tema “BNDES – Meios e processos para financiamento” nesta quinta-feira (12/04). 

O segredo, diz ele, é facilitar o trabalho do BNDES na avaliação do projeto da empresa. “O grande erro de quem não tem um projeto é ficar esperando um empréstimo com um prazo curto para realizar um investimento”, resume. “É importante analisar as fontes, ter um plano de negócios organizado e buscar apoio de uma consultoria especializada.” 

Empresas 

O BNDES é o principal financiador das empresas brasileiras, a taxas menores que as dos bancos comerciais. 

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Hugo Luna mostrou que o BNDES também trabalha em parceria com os bancos privados “procurando em determinadas linhas mais facilidades em trâmite e condições de pagamento de forma que amplie ao máximo o investimento de quem vai captar aquele recurso”, explica. 

Para micro e pequenas, algumas linhas são simplificadas e subsidiadas, como no caso de equipamentos, com operações indiretas intermediadas por um banco comercial, de forma ágil. É o caso do Cartão BNDES e do Programa Sustentação do Investimento (PSI). 

Investimentos 

Em 2011, os desembolsos do banco somaram R$ 139,7 bilhões, o que ajudou o crédito no Brasil passar de 38,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para 49,1% do PIB. Foram 896 mil financiamentos, uma alta de 47% em relação a 2010 – um recorde histórico, segundo o próprio banco. 

Mas grande parte desse crédito foi direcionada para o consumo, como diz o especialista. 

“O Brasil hoje precisa de recurso de investimento de longo prazo”, afirma. “As deficiências que existem em infraestrutura e outras áreas é que faltam investimentos sustentáveis.” Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de investimentos públicos e privados do País está em 19,3% do PIB. O governo acha ideal que esse número chegue a 24%. 

Ele diz que somente investindo é que o PIB cresce. “Pesquisas do próprio banco mostram que onde há investimento há crescimento”, ressalta. O aumento de R$ 45 bilhões nos recursos do banco para 2012, anunciado no começo de abril, é “um importante alavancador de demanda e de oferta de recurso para investimento”. 

“Sem duvida, é um bom caminho para o objetivo que foi traçado, que é o de aumentar e facilitar o recurso para a indústria, além do objetivo maior, que é justamente o que de o Brasil tem que ter um crescimento do PIB de 4%.”