Fazer negócios na América Latina é “para profissionais”, diz CEO da GE

publicado 15/08/2016 14h42, última modificação 15/08/2016 14h42
São Paulo – Gilberto Peralta (GE) e executivos que lideram operações na região comentam os riscos e oportunidades de mercado
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Explorar a complexidade dos mercados latino-americanos é uma tarefa “para profissionais”, disse Gilberto Peralta, CEO da General Electric (GE) do Brasil e gerente geral da GE Capital Aviation Services para a América Latina e Caribe. “Quem vier com a expectativa de fazer um investimento especulativo de longo prazo, melhor não vir. A América Latina é para profissionais”, afirmou Peralta, no seminário de Integração Comercial e de Investimentos na América Latina da Amcham – São Paulo na sexta-feira (12/8).

Peralta debateu as oportunidades de investimentos na região com executivos que atuam nesse mercado, como Frederico Marchiori, head de relações institucionais da Oxiteno, Fábio Schettini, gerente geral de operações e exportações da Braskem, e Eduardo Ragasol, líder de mercado da América Latina da Mercer. José Rubens de la Rosa, presidente da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), mediou os debates.

Para ele, assim como no Brasil, muitos países latino-americanos enfrentam problemas com falta de infraestrutura logística, excesso de burocracia e insegurança jurídica. “O Brasil tem um custo país muito elevado, mas nos outros países isso não é tão diferente.”

Mas mesmo operando em um ambiente instável, os 570 milhões de habitantes e o PIB de nove trilhões de dólares tornam a América Latina um mercado essencial, opina o executivo.  No Rio de Janeiro, a GE está investindo 120 milhões de dólares para dobrar sua operação de manutenção de turbinas de aeronaves. “Queremos transformar essa operação na maior oficina de reparo de avião do mundo. É algo que exige muita tecnologia e investimento.”

Na Argentina, outro mercado atendido pela empresa, o ambiente para negócios só mudou com a entrada do novo governo. Dois contratos, um de financiamento de aviões para a Aerolíneas Argentinas, e outro no setor de equipamentos para geração de energia, foram fechados recentemente. “Tivemos mais segurança jurídica e pudemos avançar com esses contratos”, conta Peralta.

Para Ragasol, o continente está cheio de oportunidades. “O México precisa de investimentos em petróleo, por conta da crise da Pemex (estatal mexicana de petróleo). Ela vai se recuperar, mas atualmente precisa de parceiros”, conta o executivo.

“A Colômbia também busca parceiros para explorar seus recursos minerais e petróleo. O Peru tem potencial de mineração e agrícola, e o Chile está precisando modernizar seu sistema financeiro”, acrescenta Ragasol.

Oxiteno e Braskem

Duas empresas brasileiras que atuam em setores afins, a Oxiteno (química) e a Braskem (petroquímica), decidiram começar suas respectivas operações de internacionalização pela América Latina, como forma de ter acesso a uma base ampliada de consumidores e insumos de produção. “Os gargalos logísticos são um problema para nós, então buscamos na região um cenário mais sustentável e previsível para os insumos que precisamos”, disse Marchiori.

Na Braskem, a instalação de uma fábrica no golfo do México permitiu à empresa ter acesso a uma nova fonte de máteria-primas, uma vez que a região é grande produtora de derivados de petróleo. “Onde o Brasil vive uma situação incerta, estamos contornando e explorando oportunidades”, disse Schettini.