Fechamento da economia brasileira é uma das causas da baixa produtividade, diz IPEA

publicado 22/04/2016 08h50, última modificação 22/04/2016 08h50
São Paulo – Fernanda De Negri disse que falta de concorrência dá sobrevida a empresas ineficientes
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O isolamento da economia brasileira é uma das causas diretas da ineficiência empresarial, de acordo com Fernanda De Negri, diretora de estudos e políticas setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). “Se você tem um sistema econômico onde empresas ineficientes não morrem, de algum modo elas continuam atrapalhando o desempenho das eficientes. Porque são elas que vão produzir e vender bens e serviços para as mais produtivas”, observa a pesquisadora, que participou do lançamento do programa + Competitividade, da Amcham Brasil, na sexta-feira (15/4).

Assim como a ineficiência, a baixa qualificação da mão de obra e escalas de produção integram a lista de agravantes da produtividade nas empresas. “Isso tem muito a ver com o fechamento da economia brasileira, uma página que já deveríamos ter virado em nossa política (comercial)”, acrescenta Fernanda.

 

 O mesmo deveria acontecer no campo da ciência e tecnologia, onde o intercâmbio de conhecimento deveria ser mais intenso, defende a pesquisadora. “Um aspecto fundamental é que a agenda de mudanças vá em direção a uma maior abertura a novas ideias e tecnologias. Quantos pesquisadores estrangeiros temos aqui trabalhando nas universidades ou empresas brasileiras?”, indaga.

No âmbito interno, Fernanda disse que a eliminação de políticas ineficientes de produtividade tem que ser considerada. “Um dos grandes exemplos é a Política de Conteúdo Local que criou um monstro, uma ação completamente ineficiente que não foi nem avaliada pelo governo.”

Outro aspecto é a agilidade na formulação de políticas públicas. “A inovação, por exemplo, precisa de mudanças rápidas na regulação. Veja o carrinho automático do Google, por exemplo, onde o Departamento de Trânsito dos EUA já criou uma regulação para isso.”

Para Fernanda, a eficiência começa com políticas públicas racionais e mais favoráveis à inovação. “Temos que melhorar o desenho e a eficiência das políticas de inovação e retirar os entraves que impedem as empresas de inovar.”

Veja abaixo a apresentação de Fernanda: