Ferroeste ampliará e adequará malha ferroviária para transporte de produtos de maior valor agregado no Paraná

por daniela publicado 15/07/2011 16h51, última modificação 15/07/2011 16h51
Daniela Rocha
Curitiba - Mauro Fortes Carneiro, diretor de Produção da companhia, detalha plano e ressalta importância dos recursos privados nas obras de infraestrutura do Estado.
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A Ferroeste (Estrada de Ferro Paraná Oeste), sociedade de  economia mista que tem no governo do Paraná seu maior acionista, está desenvolvendo uma série de estudos para implementação de melhorias e construção de novos trechos ferroviários, proporcionando a ligação entre Maracaju, no Mato Grosso do Sul, até o Porto de Paranaguá, no Paraná. É o que destaca Mauro Fortes Carneiro, diretor de Produção da companhia.

Carneiro concedeu entrevista ao site da Amcham após participar do seminário Competitividade Regional em Curitiba na quarta-feira (13/07), evento que integra o projeto "Competitividade Brasil - Custos de Transação" da Amcham.

Segundo o engenheiro, a companhia planeja algumas readequações da malha para que comporte produtos de maior valor agregado.  Ele também ressaltou a necessidade de investimentos do setor privado na infraestrutura do Paraná. Veja os principais trechos da conversa:

Amcham: Quais os planos da Ferroeste em andamento?
Mauro Fortes Carneiro:
O trecho global que trabalhamos começa em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, perto de Dourados, e vem até Paranaguá, passando por Guaíra, Cascavel, Guarapuava, Curitiba e chegando a Paranaguá. Para efeito de desenvolvimento de projetos, dentro da Ferroeste dividimos isso em quatro trechos.

Amcham: Quais são esses trechos?
Mauro Fortes Carneiro:
O primeiro trecho novo de Guarapuava a Paranaguá tem estudo preliminar pronto, feito pelo Instituto de Engenharia. O segundo é o existente, de Cascavel a Guarapuava, que necessitará de readequação em função dos trechos novos. O terceiro, também novo, de Cascavel a Guaíra, já teve um projeto final de engenharia que, no entanto, precisa ser modificado em função dos novos parâmetros de gabarito (dimensões), prevendo vias duplas, túneis para vagões, que podem levar dois contêineres um sobre o outro. Por fim, temos o quarto trecho que será implementado, entre Maracaju e Guaíra, no Matogrosso do Sul, que também é concessão da Ferroeste. Não cito isso em ordem de prioridade, ou na ordem em que as obras acontecerão. É uma ideia única de Maracaju a Paranaguá, mas falamos em quatro trechos que não são técnicos nem de licitação, mas têm a finalidade de facilitar as discussões em termos de projetos.

Amcham: Existe uma tendência de o Porto de Paranaguá movimentar cada vez mais produtos de  maior valor agregado?  Os projetos da Ferroeste visam atender a essa demanda?
Mauro Fortes Carneiro:
Sim, sem dúvida. Essa, inclusive, é uma tendência mundial irreversível.

Amcham: No seminário, o sr. comentou sobre uma possível entrada da ferrovia ao Porto de  Paranaguá  pela Ilha Rasa, onde  a área portuária tende a crescer. Como seria essa passagem?
Mauro Fortes Carneiro:
Queremos propor isso. É uma ideia que tivemos no grupo de discussões do Instituto de Engenharia do Paraná e o fato de eu estar na Ferroeste é uma coincidência nesse caso. Numa de nossas conversas, resolvemos propor essa alternativa tanto ao governo estadual  quanto ao federal, mas isso não significa que acontecerá porque ainda depende de estudos, de considerações mais sérias. Temos de ver a questão ambiental e o estudo do solo. Aparentemente, pelo mapa, isso é viável, com alguns benefícios interessantes, sendo que o principal seria tirar o trem da cidade de Paranaguá. Portanto, existem algumas questões logísticas que devem ser analisadas como o posicionamento de alguns silos, cooperativas e empresas que precisam ter acesso ferroviário. Para se tomar uma decisão tão importante como essa são fundamentais os estudos.

Amcham: A malha ferroviária do Paraná é muito pequena na visão dos empresários...
Mauro Fortes Carneiro:
Não é que a malha seja pequena, mas alguns trechos foram abandonados por serem antieconômicos ou por despertarem pouco interesse de concessionárias. Na verdade, a malha é antiga, exceto pelo trecho da Ferroeste que é mais recente, dos anos 90. A ALL (América Latina Logística) opera uma ferrovia antiga, que precisa ser trabalhada e readequada. Portanto, de maneira geral, são necessários investimentos na ampliação e melhorias da malha, sempre visando um tempo de transporte mais curto porque, quando uma empresa transporta um vagão em menos tempo, o utiliza várias vezes, sendo necessários menos investimentos em ativos.

Amcham: A participação da iniciativa privada é fundamental quando se fala em investimentos nas ferrovias? O que está sendo feito no Estado para atrair esses recursos?
Mauro Fortes Carneiro:
Com certeza, a participação da iniciativa privada é importante. Como o secretário Cassio Taniguchi (Planejamento e Coordenação Geral) falou, o governo já tem uma minuta de projeto de lei que será encaminhada à Assembléia Legislativa para regulamentar as Parcerias Público-Privadas no Paraná. Essa minuta já está bem adiantada na Procuradoria Geral do Estado.

Amcham: O sr. está confiante na aprovação do projeto estadual de PPPs?
Mauro Fortes Carneiro:
Estou 100% confiante. O Paraná precisa de investimentos do setor privado. A matéria será discutida, pode até ser eventualmente alterada, mas será aprovada.