FGV, Interfarma, Abiquim, Totvs, Minerva e Acciona apontam ações para o Brasil avançar no comércio global

publicado 09/05/2016 15h19, última modificação 09/05/2016 15h19
São Paulo - Os consultores Welber Barral e Marcos Troyjo também participaram hoje (9/5) do evento de lançamento do estudo da Amcham/FGV. Confira os destaques
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A Amcham, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, lançou hoje (9/5) o estudo inédito “Os Impactos para o Brasil de acordos de livre comércio com EUA e União Europeia”. Além da apresentação dos resultados da pesquisa, foram realizados debates sobre as perspectivas e desafios para integração do Brasil no cenário econômico internacional e as propostas e expectativas do empresariado.

Confira os principais destaques dos participantes:

Hélio Magalhães, CEO do Citi Brasil e presidente do Conselho de Administração da Amcham Brasil 

"Para alcançar sucesso no mundo cada vez mais globalizado, o Brasil ainda precisa aprender uma lição importante. Representamos 3% do PIB global, mas só 1,2% do comércio entre as nações. Ou seja, alguém está vendendo no nosso lugar”

Vera Thorstensen, professores e coordenadora do Centro de Comércio Global da FGV 

"Com quem o Brasil deve casar? Estudamos todos e rodamos todas as tecnologias possíveis. O que está acontecendo? Os maiores ganhos é fazer acordo norte-sul. Sou a favor de fazer acordo com todo mundo. Porque a OMC está com problemas que vai demorar" 

“A Europa não vai abrir espaço para um acordo enquanto o Brasil não começar uma negociação concreta com os EUA. O Brasil tem um ‘mercadinho’ que não é assim tão desprezível, precisamos avançar nas negociações”

“O Brasil tem que sair da casca e enfrentar o mundo”

Lucas Ferraz,  coordenador do Núcleo de Modelagem da FGV

“A indústria brasileira vai cada vez perdendo mais competitividade porque insiste em competir no made in Brazil (fabricado no Brasil, na tradução para o português), quando lá fora está concorrendo com produtos que são made in the world (fabricado no mundo)” 

Conselheira Paula Aguiar Barboza, Assessora do Departamento de Negociações Internacionais, Ministério das Relações Exteriores:

"É muito importante que haja, cada vez mais, essa pressão do setor privado sobre o governo"

"Essa nova inserção do Brasil no comércio internacional dependerá de uma avaliação sobre o Mercosul. Não dá para abandonar totalmente o Mercosul, obviamente"

"Estamos em momento crucial de redefinição e contamos com a iniciativa privada e a academia para fazer uma avaliação de como seria a inserção do Brasil nessas cadeias globais de valor"

Welber Barral, Ex-Secretário de Comércio Exterior, presidente do Comitê de Comércio Exterior da Amcham e sócio da Barral M Jorge Consultoria

"Boa parte das barreira de acesso às cadeias globais de valor são criadas por nós mesmos. Há dificuldade logística, por exemplo, com relação a ingresso e saída de produtos do Brasil. O tempo a mais em portos, o tempo a mais relacionado a controles burocráticos no Brasil dificulta qualquer iniciativa no país"

"A grande verdade é que boa parte da indústria brasileira é a favor da negociação enquanto não houver negociação. Todo mundo é a favor do livre mercado no mercado alheio."

"A internacionalização das empresas brasileiras é dificultada principalmente pelas regras fiscais e tributárias"

Marcos Troyjo, Co-Diretor do BRICLab, Columbia University

"O Brasil está se escondendo da globalização”

"O setor privado no Brasil continua muito ensimesmado. O fato também é que nossas empresas e associações empresariais são muito insulares, elas tem presença no exterior"

"Temos três fatores para considerar antes de fazer uma inserção internacional: contexto, reorganização do governo e das empresas, e dedicar muita gente a esse esforço"

Alexandre Azevedo, CEO, Totvs Private

"A indústria de software brasileira é pouco observada e pouco inserida nesse contexto de mercado internacional pelas autoridades brasileiras"

"Acredito que a indústria brasileira de software precisa ser melhor olhada. Precisamos trabalhar pra que essa geração de riqueza que é possível com relação a um produto consistente de propriedade intelectual possa voltar em divisas para o Brasil, que possamos ser um agente econômico mais importante do que somos hoje"

Antonio Britto, Presidente-executivo, Interfarma – Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa

"Nós como país precisamos nos valer de todos os instrumentos possíveis para poder aprimorar nossas condições de inserção e participação nas correntes internacionais de comércio"

"Resolvidas as questões dos marcos institucionais, que são fundamentais, da organização do governo, se nós, 516 anos depois, pretendemos ter como projeto de país um país que dispensa a educação, odeia a matemática, foge da meritocracia, detesta o empreendedorismo e que vai na oscilação do mercado de commodities vivendo ora melhor, ora pior"

"Protecionismo latente na cultura brasileira é a confissão do medo ou da consciência de inferioridade"

Fernando Queiroz, CEO, Minerva Foods

"O Brasil perdeu pra países que tem mão de obra mais competitiva, que tem tecnologia e energia"

"Um dos únicos locais, no nível macro, que conseguimos efetivamente ganhar competitividade é na área das commodities. O grande desafio é como vamos dar os passos para que possamos diversificar nossa pauta e evoluir no que já temos de vantagens competitivas"

"Alinhamento entre o setor privado e o setor público é fundamental"

André Clark Juliano, Diretor de País, Acciona Brasil

"É muito provável que os únicos espaços de crescimento da nossa economia ocorram em duas grandes alavancas, que são o setor externo e investimento, especificamente em infraestrutura"

"O Brasil tem toda a condição industrial de fazer crescer a sua indústria através da retomada de investimento, principalmente com capitais internacionais"

Fernando Figueiredo, Presidente Executivo, Abiquim - Associação Brasileira da Indústria Química

"O que existe hoje é um excesso de protecionismo"

"Além da abertura comercial, nós defendemos um forte projeto de estímulo a competitividade na indústria brasileira na área química"

"Acho que temos que combater mais severamente as práticas desleais do mercado internacional"