Fitch rebaixa nota de crédito do Brasil e diretor-geral vê dívida pública como principal fraqueza

publicado 15/10/2015 12h56, última modificação 15/10/2015 12h56
São Paulo – Rafael Guedes comentou o rebaixamento em primeira mão, durante o seminário Brasil 2016 da Amcham-SP no dia 15/10
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A agência de classificação de risco Fitch Ratings anunciou o rebaixamento da nota de crédito do Brasil de ‘BBB’ para ‘BBB-’ na manhã de quinta-feira, o que deixa o país no último patamar das economias que possuem alta capacidade de honrar as dívidas internacionais – o chamado grau de investimento.

No momento do anúncio, Rafael Guedes, diretor-geral da Fitch Ratings no Brasil, estava no seminário ‘Brasil 2016 – Perspectivas para o País’ da Amcham – São Paulo, na quinta-feira (15/10). Guedes disse que a evolução da dívida brasileira é o calcanhar de Aquiles do governo. “O que a Fitch vai levar em consideração sobre o rating brasileiro é, certamente, como a dinâmica da dívida vai evoluir ao longo do tempo, que é a maior fraqueza do rating brasileiro.”

Guedes foi um dos painelistas do debate sobre perspectivas econômicas e políticas, ao lado de Marcelo Kfoury, economista-chefe do Citibank, e Carlos Eduardo Lins da Silva, sócio diretor da Patri Políticas Públicas. No debate, Guedes disse as finanças públicas brasileiras são “claramente um fator negativo” para a avaliação do rating. Para comparar, o executivo disse que o endividamento bruto do Brasil corresponde a 65% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto que em países com perfil econômico semelhante, o índice está em 39%.

A tendência é de piorar, segundo o executivo. “Nossa expectativa de endividamento sobre o PIB é 66% para esse ano, 69,5% em 2016 e 71,1% em 2017.” Ou seja, para cada real de riqueza que o Brasil produzirá este ano, 66 centavos serão canalizados para cobrir a dívida pública.

Além das finanças públicas, a Fitch também leva em consideração mais três aspectos: macroeconômico, estrutural e contas externas. Todos apresentam tendência negativa, na avaliação de Guedes. “No aspecto estrutural o cenário ainda é neutro, mas no macroeconômico o desequilíbrio deve aumentar.”

Para Guedes, o Brasil terá dificuldades para crescer nos próximos anos. Ele classificou a taxa de investimento de 17% do PIB de “medíocre”. “Com essa taxa, país nenhum pode querer ter crescimento sustentável acima de 1,5% ou 2% em longo prazo.”