Prestes a se tornar 7a economia mundial, Brasil tem desafios a enfrentar

por daniela publicado 17/12/2010 12h26, última modificação 17/12/2010 12h26
Belo Horizonte - Continuidade da expansão do PIB está diretamente ligada à condução das políticas monetária, cambial e fiscal, ressalta presidente da Assemg.

O Brasil chegará à 7a posição na economia mundial em 2011, à frente de países como a Itália. A previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), contudo, não exime o País de enfrentar um conjunto de desafios.

 

Como ressalta Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, presidente da Associação dos Economistas de Minas Gerais (Assemg), da revista MercadoComum e do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de Minas Gerais (Ibef-MG), a continuidade da expansão do PIB está diretamente ligada à condução das políticas monetária, cambial e fiscal.

 

No que diz respeito à esfera monetária, o País segue com os juros mais elevados do mundo, o que ocasiona acúmulo da dívida pública e custo ao tomador final (spreads), quadro que, conforme Oliveira, deveria ser modificado para que o País avance mais.

Quanto ao câmbio, o ritmo de valorização do real tem impactado negativamente a balança comercial e as transações correntes e, conforme o presidente da Assemg, mecanismos poderiam ser adotados para aumentar a competitividade da indústria.

Já na área fiscal, Oliveira afirma que o modelo tributário brasileiro é arcaico e deveria ser alterado para melhorar o ambiente de negócios.

 

Oliveira mediou a “Mesa Redonda - Panorama 2010 - Perspectivas 2011”, promovida na quarta-feira (15/12) pela Amcham-Belo Horizonte, da qual participaram presidentes de comitês da regional mineira, pontuando  aspectos relevantes no caminho de um maior desenvolvimento econômico do País e tendências para alguns segmentos em 2011.

Análises específicas

O setor de telecomunicações terá variáveis novas na dinâmica do mercado, como o surgimento da tecnologia 4G e a criação de operadoras móveis virtuais. Esses serão divisores de águas, ressaltou Altivo Luis, diretor regional Embratel e presidente do comitê de TI.

Em logística, Alexandre Marques, diretor regional da Intercomex, assessoria de comércio exterior, e presidente do comitê de Logística e Comércio Exterior da entidade, está pessimista com o cenário para o próximo ano, pois, para ele, é notório que o Brasil ainda deixará a desejar no que diz respeito à infraestrutura. Isso porque os avanços em obras e projetos ainda serão insuficientes. “Como ser competitivo com o alto custo logístico e a elevada tributação ?”, questionou Marques.

Ezequiel de Melo Campos Netto, advogado sócio da Melo Campos Advogados e Presidente do comitê estratégico de Gestão e Administração de Escritórios de Advocacia, considerou que, no âmbito legal, os desafios estão na área tributária, além da  trabalhista. “A área trabalhista é engessada, não possibilita flexibilidade. O setor tributário é um grande desafio. Nada menos que 34% do PIB brasileiro são tributos”, aponta o advogado.

Outro problema que deve ser endereçado no próximo anoé a falta de mão de obra especializada, ressaltou Mariana Moura, gerente de Recursos Humanos da AngloGold Ashanti e presidente do comitê de Gestão de Pessoas. Segundo ela, a iniciativa privada tem papel fundamental nos treinamentos. “As organizações estão tentando suprir uma carência do mercado, a deficiência da formação dos profissionais, além de se preocupar em atrair e reter pessoas”, disse Mariana.

Na área ambiental, Carlos Eduardo Orsini, sócio da YKS e presidente do comitê de Meio Ambiente, acredita que os processos burocráticos ainda são empecilhos no setor, sobretudo em Minas Gerais. “Estamos perdendo espaço para outros Estados pelo grande processo burocrático para conseguir uma licença ambiental”, constatou.

Na avaliação de Alícia Figueiró, presidente do Núcleo de Economia e Finanças da Amcham-Belo Horizonte e sócia da Walia, a iniciativa privada deve prosseguir fazendo sua parte, buscando, cada vez mais, eficiência nas operações para ter sustentabilidade do crescimento.

Galeria de fotos