Gestão inteligente de riscos em logística deve partir da análise da operação

por simei_morais — publicado 07/03/2013 15h55, última modificação 07/03/2013 15h55
São Paulo – Especialista defende que as decisões nessa área não podem se dar com base apenas em orçamento determinado pelo setor financeiro.
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Nas atividades de logística, a definição dos contratos de seguro deve partir de premissas levantadas na operação e não apenas do orçamento pré-determinado pelo setor financeiro. O conceito, chamado de “inteligência de riscos”, permite ganhos de eficácia e racionalização de custos de frete.

Essa é a tese defendida por Bruno Muniz de Almeida, sócio da IMC Brasil, empresa de gestão de seguros corporativos e gerenciamento de risco. Ele foi palestrante no comitê aberto de Logística da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (07/03).

O encontro debateu gestão de riscos na cadeia logística e focou o case da Bauducco, apresentado pelo diretor de Logística e Distribuição da companhia, Homero de Carvalho Bastos. A Bauducco reformulou seu gerenciamento de riscos e a contratação de seguros com base no conceito de inteligência.

Segundo Almeida, o conceito é aplicável em outras áreas que requerem seguro, mas é novo no setor de transportes. Ele diz que as empresas, no geral, continuam contratando seguradoras com base no limite fornecido pela área de finanças, tendo de adequar o transporte ao contrato firmado.

“Fazem assim com objetivo de pagar mais barato, mas nem sempre o contrato atende às reais necessidades da operação. Parte dos custos do seguro não tem finalidade. O ideal é um seguro com cobertura e exigências sobre riscos que realmente existam”, contrapõe. “Agora, a discussão não é mais o seguro, mas o gerenciamento de riscos, e o foco está no operador, que tem a responsabilidade de entregar a mercadoria”, define.

Diagnóstico

Almeida propõe fazer análise de toda a operação e, a partir dos riscos identificados, moldar o seguro. De acordo com ele, a maioria das negociações desconsidera a realidade do próprio mercado, como limites de carga aquém do que poderia ser transportado com segurança, exigência de perfil de motorista incompatível a prática e escolta em trechos com baixos índices de roubo.

“Pedem motorista que não tenha dívida [por motivos de segurança], mas qual brasileiro não é endividado? Exigem também veículos com rastreador, sendo que apenas entre 10% e 15% da frota do país são rastreados”, exemplifica.

Almeida aponta que o ideal, na análise da operação, é considerar o risco que pode ser assumido e trabalhar estratégias para mitigá-lo. “Tenho um cliente que preferiu não fazer seguro porque o gerenciamento de riscos é tão controlado que ele considera melhor assumi-los e pagá-los, se for necessário”, comenta.

O plano de gerenciamento de risco deve ter uma gestão integrada com base nas informações do transporte. Almeida propõe que esse planejamento seja acertado entre o gestor de logística, a seguradora, a corretora de seguros e um profissional isento, que possa mediar a negociação ante os interesses de cada parte.

Resultados

Bastos, da Bauducco, apresentou na reunião da Amcham os resultados do gerenciamento de riscos integrado que foi implementado na companhia há 13 meses – antes, era conduzido pela corretora de seguros, que também fazia a corretagem. A fabricante de alimentos, uma das maiores do País, tem cadeia de distribuição que corta o território nacional, do Rio Grande do Sul ao Ceará. “A Bauducco tinha crescimento em vendas e market share, então os riscos e sinistros aumentaram [conforme a operação se expandiu]”, comenta.

Segundo Bastos, a equipe identificou que, à medida que havia ineficiência no gerenciamento de riscos, o preço do seguro crescia. “Mapeamos todos os vetores de supply chain para chegar à raiz do problema. A análise dos sinistros mostrou um problema crônico em carga e descarga”, cita.

O processo abrangeu ainda uma auditoria de transportadores e análise da área em que o transporte é realizado e da operação dos funcionários. Em seguida, a empresa adotou ações corretivas e preventivas. Em 11 meses, houve redução de 42% nos sinistros, 30% nos prejuízos com transporte, 38% nos custos de gerenciamento de risco e 43% em seguros. “Tivemos melhora no nível do serviço e nas finanças”, relata.