Goldemberg defende a ampliação de fontes de energias renováveis

publicado 23/04/2014 15h02, última modificação 23/04/2014 15h02
São Paulo – Físico defende as matrizes de biomassa de cana e eólica como opções de curto prazo
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Para o físico José Goldemberg, ex-reitor da USP (Universidade de São Paulo) e ex-presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), ampliar a oferta de energias renováveis (biomassa e eólica) é uma solução que aumentaria, em curto prazo, a oferta do parque gerador brasileiro.

“Fazer reservatórios hidrelétricos adequados é uma medida de longo prazo por causa das questões com ambientalistas”, afirma Goldemberg, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo, ocorrido na quarta-feira (23/4). “A matriz de biomassa de cana é uma fonte barata e necessária [a safra dura o ano inteiro], além de suprir o abastecimento energético no período de seca [maio a outubro]. E as eólicas são muito fortes no Sul e Norte do país.”

Cabe ao governo estimular a produção das fontes renováveis criando leilões de energia de acordo com as peculiaridades de cada matriz. “Deveria haver leilões específicos, onde uma fonte não competisse com outra, porque os custos de produção são diferentes. Jogar todas as fontes em um mesmo leilão com preços iguais é um contra-senso”, comenta Goldemberg.

O uso de fontes alternativas é uma tendência a ser seguida. “Os Estados Unidos estão substituindo o carvão pelo gás, muito abundante por lá e bem menos poluente. Com isso, os americanos estão se tornando um país mais ecologicamente correto.”

O potencial hidrelétrico brasileiro

Apesar dos obstáculos, Goldemberg destaca que o Brasil precisa desenvolver o potencial hidrelétrico, “que é muito grande”. “Poderíamos explorar 50% de nosso potencial, um percentual que é técnica e economicamente acessível. Hoje, usamos 32%”, disse ele. Para efeito de comparação, a Europa usa 53% do potencial hidrelétrico e os EUA, 39%.

Sem alternativas de geração energética e a limitada capacidade das hidrelétricas em função da falta de chuvas, o governo tem frequentemente recorrido às usinas termelétricas. Além de poluir mais, elas custam mais para produzir energia elétrica. “Elas não foram feitas para trabalhar o ano inteiro. Precisam parar de tempos em tempos para a manutenção das turbinas”, explica Goldemberg.