Governo deve estruturar política do gás natural para que País se beneficie da oferta crescente

por daniela publicado 28/04/2011 14h57, última modificação 28/04/2011 14h57
Daniela Rocha
São Paulo - Combustível pode ser mais utilizado no mercado interno, de forma competitiva, permitindo desenvolvimento sustentável, avalia Edmar de Almeida, professor da UFRJ.
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O governo federal precisa agir mais rapidamente na agenda do gás natural. Diante de um cenário de ampliação da oferta, o maior aproveitamento no mercado interno seria positivo ao crescimento econômico do País. A avaliação é de Edmar Luiz Fagundes de Almeida, professor adjunto e membro do Grupo de Economia de Energia (GEE) do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

De acordo com o professor, a lei do Gás (11.909), aprovada pelo Congresso em 2009 e regulamentada no ano passado, transfere para o Poder Executivo a responsabilidade de planejar a insfraestrutura de transporte e distribuição do combustível no País, o que significa estabelecer as estratégias para o desenvolvimento da indústria do gás.

“Não é fácil desenvolver mercado porque, para isso, é preciso ter infraestrutura e preço; entretanto, se o governo fizer essa política, não sobrará muito gás para exportar. É preciso traçar planos para os segmentos de gás natural veicular (GNV), geração termoelétrica e empresas gás-intensivas, como petroquimicas, químicas e de fertilizantes. O gás é um produto que, em geral, é mais barato do que outras fontes energéticas, além de ter vantagens ambientais por ser menos poluente”, destacou Almeida, que participou nesta quinta-feira (28/04) do comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo.

Atualmente, a oferta nacional de gás natural é de 33 milhões de metros cúbicos (m3) por dia e a participação na matriz energética brasileira é de 10%. Em 2016, o volume será de 85 milhões de m3/dia, sem constar ainda as descobertas do pré-sal. Já em 2020, o pré-sal adicionará 36 milhões de m3/dia.

“A participação de 10% na matriz é muito pequena. Poderíamos ter cerca de 20% diante do novo cenário de oferta e ainda manter uma matriz energética bastante diversificada”, opinou o professor. Segundo ele, o gás responde a uma fatia de 10% há cerca de cinco anos, apresentando apenas um pequeno recuo para 8% no ano de 2009, com a crise financeira internacional. O combustível veio crescendo na média do setor de energia do País, mas, agora, reúne condições de avançar mais do que as demais fontes.

Década do gás


Edmar de Almeida disse que o mundo vive uma fase positiva de descobertas de gás, inclusive com a adoção de novas tecnologias para extração do combustível das rochas de xisto, sobretudo nos Estados Unidos, em alguns países da Europa, com destaque para Polônia, e na China e na Argentina.

“O gás sempre foi precificado com valor muito próximo da cotação do petróleo, entre os países que praticavam, tradicionalmente, preços de mercado. Porém, hoje, nos Estados Unidos, o preço do gás está 40% menor do que o do petróleo, muito mais barato. Então, se extrapolarmos essa tendência do que está acontecendo no mercado americano, haverá um descolamento muito maior entre o preço do gás e o do petróleo, incentivando a maior penetração do gás na matriz energética mundial”, ressaltou.

O professor da UFRJ comentou que o preço do gás no Brasil é um dos mais elevados no mundo, mas que isso mudará. “Os contratos em vigor ainda refletem o contexto em que faltava gás no País. Como são de médio e longo prazos, levará algum tempo para que novos documentos sejam assinados com preços que reflitam a maior oferta”, concluiu.