Governo investirá em concessões e parcerias com empresas para resolver gargalos de infraestrutura

publicado 10/10/2016 09h16, última modificação 10/10/2016 09h16
São Paulo – Presidente da EPL afirma que integração entre modais de transporte é chave para melhorar a logística no país
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Ao longo de 2016 e 2017, o governo planeja concessões e parcerias público-privadas em grandes obras de infraestrutura. É o que conta José Carlos Medaglia Filho, Diretor-Presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). "Queremos criar as condições de atratividade para investidores e operadores privados que queiram contribuir na solução desses gargalos de logística", contou, durante reunião do comitê de Logística da Amcham - São Paulo, realizado na sexta-feira, 07/10.

A principal preocupação do governo, segundo Medaglia, é revisar e editar o Plano Nacional de Logística Integrada (PNLI). A EPL têm reunido diversos estudos sobre logística no país para identificar quais as principais necessidades em cada modal (ferrovias, hidrovias, aeroportos e portos) e pensar em como integrá-los. A preocupação é melhorar o funcionamento da estrutura que já existe. “É importante que tenhamos portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, hidrovias funcionando de maneira integrada para não transferir o gargalo de um ponto para outro. Quando inauguramos um porto ou concedemos um terminal, é fundamental que tenhamos o acesso a esse porto de maneira estruturada. Do contrário, estamos resolvendo uma parte da malha”, explica.

Até novembro, o EPL pretende encerrar a validação do estudo do PNLI e publicar o plano até o final do ano. O estudo contém um mapeamento de todas as estruturas de logística do país (de gestão federal e estadual) e faz uma hierarquização desses investimentos a fim de atacar os principais gargalos. "O objetivo é ter um instrumento de utilização imediata, mas também como deixar um legado para que outras administrações possam seguir um plano. Temos que botar uma lógica nesse planejamento para não perder investimentos. Com esse estudo consistente e validado pelo governo e pelos operadores privados, fica mais fácil tomar decisões sobre o que será efeito e cobrar efetividade daquelas que nos sucederem", resume.

A logística de transportes no Brasil é um dos principais problemas relacionados ao Custo Brasil, segundo o especialista. Uma malha de transportes integrada dá mais opções de transporte de carga, o que ajudaria a ter um mercado mais bem regulado e, consequentemente, custos mais razoáveis. "Um frete de carga química que saia do polo petroquímico da Bahia, de Camaçari, e venha para São Paulo custa mais caro do que essa mesma carga vir de Miami para São Paulo. É muito provável que alguns setores da indústria estejam importando matérias que temos aqui porque o frete é mais barato", relatou Medaglia.

Além da queda nos custos de frete, a melhora na infraestrutura pode estimular setores importantes da economia, segundo o presidente da EPL. Em conversa com produtores de grãos do Centro-Oeste, o especialista descobriu que a região não produz mais porque não consegue escoar a mercadoria. "São questões urgentes. O Centro-Oeste tem a possibilidade de, em cinco anos, até duplicar sua produção de grãos", aponta.

Após esse primeiro bloco de operações, a EPL já planeja um segundo, com um número maior de concessões. “o diálogo com o setor tem ajudado - de mineração, de agrícolas, química, mas operadores de carga geral que nem sempre tem uma instituição que nos representa. precisamos ampliar o leque de empresas e organizações que venham pra essa discussão, saber das necessidades e um universo de coisas que não vieram pra discussão”, afirma.