Governo precisa desestimular consumo das famílias e gastar menos, diz Affonso Celso Pastore

por andre_inohara — publicado 12/08/2011 15h22, última modificação 12/08/2011 15h22
André Inohara
São Paulo – Conforme o economista, aumentar a poupança interna é essencial para a continuidade dos investimentos em desenvolvimento.
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Sem recursos domésticos, o País continuará precisando se financiar por meio de endividamento externo, aumentando com isso o déficit da conta corrente (resultado das transações comerciais do País com o resto do mundo). Por isso, o Brasil terá uma capacidade limitada de crescimento enquanto não conseguir elevar sua poupança doméstica, argumenta o economista Affonso Celso Pastore, consultor da A C Pastore & Associados e ex-presidente do Banco Central.

Veja abaixo a entrevista que Pastore concedeu ao site da Amcham, após participar  do comitê estratégico de Economia da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (12/08):

Amcham: Como o governo pode aumentar a poupança interna?
Affonso Celso Pastore:
Em vez de somente fazer superávit primário (economia para pagamento de juros da dívida), o governo tem de cortar gastos correntes ou, pelo menos, reduzir seu crescimento em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) para que a poupança interna seja aumentada. Necessita, também, produzir estímulos para que as pessoas consumam menos e poupem mais.

Amcham: O Brasil não pode continuar crescendo por meio de recursos externos?
Affonso Celso Pastore:
O limite ao crescimento é imposto pela poupança. O Brasil tem de aumentar a poupança doméstica para conseguir se financiar sem ter um grande déficit na conta corrente. Aumentar esse déficit tem limite.

Amcham: Como o espectro da crise fiscal na Europa pode influenciar o governo brasileiro a segurar os gastos?
Affonso Celso Pastore:
Não consigo reconhecer agora nenhuma indicação de que isso exista. Creio que o governo não pretende cortar gastos. O que espero é que ele não os aumente.