Grandes empresas e setor público são enganados por produtos piratas, indica HP

publicado 05/08/2013 08h49, última modificação 05/08/2013 08h49
São Paulo – Fabricante de toners e cartuchos lança programa de identificação de origem de produtos junto a esse segmento
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Preocupada com as repercussões negativas geradas pela falsificação de seus produtos, a HP está estendendo suas ações anti-pirataria para a cadeia de distribuição que atende as grandes empresas e clientes públicos, pois eles “estão sendo enganados”.

“Há o problema do cliente (desse segmento) que queria cartucho original e levou um falsificado na pior condição possível, pagando um preço praticamente igual. Ele paga de 5% a 10% menos, mas isso quando tem sorte”, disse Márcio Furrier, gerente de desenvolvimento de novos negócios da HP Brasil.

Nesse contexto, a HP lançou na quarta-feira (31/7) o programa ‘HP Counterfeit Verification Service (Serviço de Verificação de Produto Pirata)’, que consiste em um serviço gratuito de identificação da procedência de cartuchos de tinta e toners junto aos grandes clientes. “Queremos assegurar que nossas patentes sejam respeitadas e o cliente receba o que comprou”, explica Luis Pablo Alcalá, gerente regional do Programa Antipirataria da HP para a América Latina.

A Amcham também participou do evento. Felipe Magrim, gerente de relações governamentais da Amcham, apresentou o trabalho da entidade no combate à pirataria. Entre eles, o Projeto Escola Legal, que busca conscientizar os alunos da rede pública de ensino médio e fundamental sobre os malefícios da pirataria.

A HP adota várias medidas de segurança, como selos holográficos nas embalagens e softwares de reconhecimento de procedência nos cartuchos. Se forem originais, serão automaticamente reconhecidos pela impressora.

Pirataria engana empresas e órgãos públicos

Existem falsificadores que atuam em segmentos corporativos que consomem grandes volumes, como o das empresas privadas e órgãos estatais. Isso porque a lógica de produção da pirataria é marcada pela irregularidade e grandes volumes. Assim que conseguem fraudar e explorar brechas nos processos de licitação, têm que escoar os produtos rapidamente, explica Furrier.

Quando um cliente suspeitar da procedência de seus toners e cartuchos, pode convocar um especialista da HP treinado para detectar falsificações. “Mesmo passando por licitações, há órgãos públicos que compram de canais não autorizados ou desconhecidos. O preço não é muito maior do que o original, para não despertar suspeitas”, conta Alcalá.

Encerrado o processo de averiguação, a HP entrega um documento oficial com o resultado da inspeção. Em caso de comprovação de lote adulterado, será um argumento adicional a favor do cliente quando ele solicitar ressarcimento ou troca junto ao seu revendedor.

Alcalá deixa claro que a tarefa de fiscalizar e apreender mercadorias piratas é das autoridades públicas. “A HP não vai falar com a polícia em nome do cliente, porque cabe a ele fazer a denúncia (de falsificação) diretamente à Polícia Federal.”

A HP, por sua vez, dará prosseguimento à sua investigação própria de atividades piratas. Dos 209 investigadores contratados nas Américas, 20 atuam no Brasil. O contingente de detetives da HP só não é maior que Estados Unidos (27) e México (51).

Indústria da pirataria movimenta R$ 4 bilhões por ano

Dados da Polícia Federal apontam que o volume de apreensão de produtos piratas no Brasil foi de R$ 4 bilhões em 2012. Trata-se de uma atividade que não recolhe impostos nem gera empregos e causa prejuízos ao País, lembra Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP). “São indústrias que não inovam, não geram emprego e usam trabalho escravo”, afirma ele.

A lentidão da Justiça brasileira é um combustível para essa prática, de acordo com o dirigente. “A percepção de impunidade é grande”, comenta ele. De modo geral, a pirataria está cada vez mais sofisticada e consegue enganar consumidores de boa-fé. Enquanto não houver esforços conjuntos entre governo e setor privado, recursos que poderiam ser usados em inovação e produção terão que ser alocados para aumentar a segurança e veracidade dos produtos.