Guerra fiscal leva a modelos logísticos pouco competitivos

por mfmunhoz — publicado 02/11/2010 11h45, última modificação 02/11/2010 11h45
São Paulo - Problema é agravado pela falta de investimentos em infraestrutura no País, apontam especialistas.

A política tributária brasileira, que abre espaço para a guerra fiscal, ou seja, disputa entre Estados por meio de oferta de benefícios fiscais para atrair empresas, tem levado a práticas logísticas corporativas de baixa competitividade. Além disso, companhias que obtiveram ganhos iniciais em termos de tributos para instalação de suas plantas têm perdido essa vantagem devido a gastos elevados na movimentação de insumos e mercadorias provocados pela insuficiência dos investimentos em infraestrutura de transportes no País. O cenário foi traçado por especialistas que participaram do comitê de Logística da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (22/10).

“As empresas sabem tecnicamente, por conceitos, o que seria o modelo logístico mais eficiente para seus negócios, mas quando se deparam com a variável fiscal, esse plano, na maioria das vezes, vai por água abaixo. É preciso ter um olhar crítico porque, ao se estabelecer em determinada localidade, a impossibilidade de implementar determinadas soluções podem resultar em custos que comprometem parte significativa dos benefícios fiscais ou uma parcela até maior. Vejo que o Brasil perde competitividade na medida em que se distancia das melhores práticas logísticas”, destacou Fernando Medeiros, diretor da área de Logística Internacional da McLane, integradora de soluções logísticas. Segundo ele, esta é uma questão complexa que deve ser resolvida no País com a Reforma Tributária, um debate que se arrasta há longos anos.

“A situação se agrava porque há um grande descompasso entre as vantagens fiscais oferecidas para atrair as empresas e os investimentos em infraestrutura de transportes no País, que são insuficientes”, comentou Cristiano Koga, diretor de Vendas e Engenharia da Penske na América do Sul, que atua na armazenagem e distribuição de mercadorias.

Conforme Medeiros, da MacLane, para suportar o crescimento da economia brasileira acima de 5% nos próximos anos, é necessário ampliar o nível de investimentos na infraestrutura de transportes na ordem de 4% a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano. Em 2010, os recursos para esse segmento devem ficar na ordem de apenas 1,2% do PIB –baixos, porém acima de patamares ainda mais tímidos observados em anos recentes. Em 2004, a fatia foi de 0,10% e, em 2007, de 0,57%. 

Também presente ao encontro na Amcham, Carlos Panitz, presidente do Instituto Brasileiro de Supply Chain (Inbrasc), defendeu que a iniciativa privada deve influenciar mais as políticas públicas. “As empresas devem agir demonstrando os gargalos e apontando as necessidades de investimentos e desburocratização para ampliar a competitividade em logística.”