Infraero: novas ações e investimentos estão em curso para evitar colapso na movimentação de cargas aéreas no País

por daniela publicado 17/05/2011 16h09, última modificação 17/05/2011 16h09
Daniela Rocha
São Paulo - Governo Dilma Rousseff prepara setor para enfrentar economia aquecida, Copa e Olimpíadas, diz Luiz Antonio Felix Ferreira, coordenador na Superintendência Regional de São Paulo.
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Novos procedimentos e investimentos estão em andamento para evitar um possível colapso na movimentação de cargas aéreas no País diante do aquecimento da economia previsto para o segundo semestre, especialmente relacionado às vendas de fim de ano. É o que destaca Luiz Antonio Felix Ferreira, coordenador de Logística de Carga Aérea da Superintendência Regional de São Paulo da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).

Segundo ele, o volume de cargas aéreas teve uma expansão de 122%, passando de um patamar de 512,06 mil toneladas em 2000 para 1,139 milhão de toneladas em 2010, tendência de crescimento que prevalecerá nos próximos anos.

“Poderia haver um colapso já no segundo semestre se nada fosse feito, o que não é o caso. Existe uma preocupação notória com isso, mas posso garantir que a Infraero está sensibilizada, assim como a presidente Dilma Rousseff, que, munida de informações válidas, vem adotando ações como a criação da Secretaria da Aviação Civil, além de mudanças em processos para compras e aquisições e de procedimentos para atendimento. Os investimentos (públicos) previstos até 2014 já somam R$ 417,1 milhões”, disse Ferreira, que participou nesta terça-feira (17/05) do comitê de Logística da Amcham-São Paulo. Do aporte total estimado, foram investidos R$ 68,2 milhões no ano passado e, neste ano, serão efetivados R$ 99,5 milhões.

As principais obras programadas até 2014 são: ampliação do terminal de cargas de Curitiba; construção dos complexos logísticos de Brasília e Goiânia, reforma do terminal de cargas 1 do aeroporto do Galeão; e  implantação dos centros logísticos de Porto Alegre e Vitória.

No estado de São Paulo, o coordenador ressaltou a construção de um novo terminal de cargas (R$ 69,5 milhões) e de um terminal modular estruturado (R$ 27,5 milhões), ambos no aeroporto internacional de Guarulhos, além de ações específicas de ampliação e construção de novos terminais no aeroporto de Viracopos, que será um dos primeiros a receberem investimentos privados. O projeto total de Viracopos é estimado em R$ 150 milhões, visando 80 mil metros quadrados adicionais.

Desafios

Na visão de empresas que operam com cargas aéreas, os desafios fundamentais para o aperfeiçoamento do segmento no País passam pelo aumento da infraestrutura e pela simplificação da regulamentação e da automatização aduaneira. “É necessário reduzir o ciclo de permanência dos produtos nos aeroportos”, disse Gustavo Santi, gerente de Operações Aéreas da DHL Global Fowarding.

Carlos Figueiredo, diretor de Cargas da Gollog, braço da Gol Linhas Aéreas, criticou o fato de o Brasil não contar com um planejamento estruturado de longo prazo para o modal aeroviário. Segundo ele, a iniciativa privada tem recursos disponíveis e vontade de investir, mão não encontra abertura necessária para que isso aconteça. “A Gol tem R$ 10 milhões para aplicar em um terminal em Guarulhos, mas o projeto está parado na Infraero e na Receita Federal”, disse.

Luiz Antonio Felix Ferreira, coordenador da Infraero, afirmou que está havendo um esforço governamental para aproximar os órgãos intervenientes no caminho da desburocratização e de melhorias no atendimento.

Uma das ações mais importantes recentemente foi o diálogo com a Receita Federal para que haja a liberação de uma área de 11 mil metros quadrados no aeroporto de Guarulhos, que abriga cargas de perdimentos, isto é, mercadorias que são abandonadas por diversos motivos, como não pagamento de impostos, desrespeito de normas ou desistência de alguma companhia (receptora) pelo não cumprimento da entrega no prazo estabelecido em contrato. De acordo com Ferreira, está previsto para o segundo semestre um mega leilão desses produtos para desocupar parcialmente a área - um espaço coberto, considerado nobre e que representa aproximadamente 10% da capacidade de armazenagem do aeroporto. 

Conforme o representante da Infraero, o governo tem interesse nas parcerias com a iniciativa privada, mas busca equilíbrio nessa relação. “Fala-se bastante desses investimentos, mas alguns setores da economia já se preocupam com o que terão de pagar quando as estruturas administradas pela iniciativa privada decidirem buscar lucro. Talvez o maior desafio para o governo seja encontrar uma fórmula de equilíbrio para que o investimento chegue, para que a infraestrutura seja melhorada, sim, mas sem deixar o interesse da União e o desenvolvimento social expostos ao mercado”, afirmou.

Tendência

O modal aeroviário é o mais caro em relação aos demais; entretanto, esse aspecto tem sido neutralizado por vantagens competitivas, como a velocidade e a segurança, avaliou Carlos Figueiredo, da Gollog. “Cresce a importância desse modal pela agilidade que proporciona porque os ciclos de vida dos produtos são cada vez menores. É preciso mensurar os custos da demora no lançamento de uma coleção, os de se manterem estoques, por exemplo, ao se fazer a comparação com outros modais.”

A movimentação de cargas por via aérea em termos de toneladas representa 2% do total no mundo. O transporte marítimo é o líder até por conta da capacidade de acomodação de grandes volumes de commodities. No entanto, o modal aeroviário é  responsável por mais de 35% do valor transacionado no mercado global. “São peças e produtos de alto valor agregado, a exemplo de celulares e tablets”, citou Figueiredo.