Infraestrutura é saída para o crescimento da economia, afirmam líderes setoriais

publicado 16/10/2015 12h42, última modificação 16/10/2015 12h42
São Paulo – ABDIB, Abradee e Interfarma participaram do Brasil 2016, seminário sobre perspectivas para o país
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Nos últimos anos, o Brasil tem investido menos em infraestrutura do que outros países emergentes, concorrentes no mercado global. Apesar desse dado negativo, é nessa área em que está a oportunidade da retomada de crescimento, afirma Wilson Ferreira Júnior, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB).

Ele participou do Seminário Brasil 2016 da Amcham – São Paulo na quinta-feira (15/10), ao lado de Antônio Britto Filho, presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), e Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia (Abradee).

“Os outros países dos Brics, Chile, Colômbia e Peru investiram de 4,5% a 8% do PIB em infraestrutura, nos últimos anos. Ao mesmo tempo, nós investimos 2,4%”, compara Ferreira.

O resultado é que o Brasil ocupa o 56º lugar no ranking de competitividade, que tem 61 países, principalmente em função da infraestrutura. O gap em relação aos demais países encarece e inviabiliza a produção nacional, destaca o conselheiro da ABDIB.

“Há um conjunto de oportunidades na área, necessidades que a economia tem. Aqui é a saída para o crescimento do país”, declara.

Para tanto, o país tem de aumentar o investimento em infraestrutura, além dos 2% do PIB, e o governo tem de focar na questão regulatória, para dar mais segurança aos investidores, avalia Ferreira. “Estamos acostumados com mudanças de regras no meio do caminho, mas investidor precisa ter confiança no Estado, porque ele entra para permanecer por mais de seis governos diferentes”, ressalta.

Planejamento

Integrante da infraetsrutura brasileira, o setor de energia tmbém requer mudanças, sobretudo para evitar novas medidas que provoquem o desequilíbrio financeiro. Nelson Fonseca Leite, da Abradee, lembra de subsídios concedidos pelo governo desde 2012, cujos repasses do Tesouro atrasaram e foram concluídos somente este ano.

Aliado a isso, a crise hidrológica dos últimos anos jogou os preços lá em cima. “As distribuidoras eram obrigadas a comprar no mercado de curto prazo a R$ 822 o megawatt/hora e a vendêlo a R$ 120”, comenta.

O endividamento limita o investimento no setor, que nos últimos anos investiu cerca de R$ 12 milhões anualmente. Há demanda de mais R$ 16 milhões para os próximos anos, para contratos de concessão e modernização, segundo Leite. “Queremos identificar as lacunas no atual modelo e resolver os gaps do equilíbrio financeiro”, afirma.

Proposta de país

O setor farmacêutico, porém, tem tido resultados mais positivos que os ligados à infraestrutura. Antônio Britto, da Interfarma, diz que o faturamento, em 2015, tem sido 12,26% maior que o de 2014. “Mas quando o mercado privado de medicamentos vai bem, é porque o de saúde pública vai mal”, adverte.

Ele ressalta que 76% da população não têm como consumir remédios se não por recursos próprios. “A questão da saúde tem de ser resolvida pelo próprio cidadão. E a demanda não altera, sempre existe”, cita.

Para Britto, a saúde é um exemplo da atual crise por que passa o país. o líder avalia que o sistema de saúde é generoso, porém inviável. E diz que os governos evitam mais gastos ao não incorporarem novos tratamentos na cobertura pública. “A sociedade responde judicializando: já são mais de R$ 2,5 bilhões (em resposta às ações) e 240 mil processos. E a judicialização desorganiza o sistema”, observa.

Tal crise é indicativo de que faltam propostas para o país, defende o presidente da Interfarma. “O sistema público é sinal do final de um ciclo. O Brasil de 1985 acabou de acabar”, declara. “E não há vazio de lideranças, há vazio de propostas. O que se desenvolveu de país de 1985 para cá se esgotou”, conclui.

Seminário Brasil 2016

O Seminário Brasil 2016 discutiu as perspectivas políticas e econômicas para o país no próximo ano e ainda contou com as participações de Marcelo Kfoury Muinhos, economista-chefe do Citibank; Rafael Guedes, diretor da Fitch Ratings no Brasil; e Carlos Eduardo Lins da Silva, sócio-diretor da Patri Políticas Públicas.

Também participaram Donna Hrinak, CEO da Boeing no Brasil; Rodrigo Santos, CEO da Monsanto no país; e Luiz Pasquotto, CEO da operação brasileira da Cummins.