Iniciativa privada deve aumentar sua participação nos investimentos em ciência e tecnologia, defende presidente da Finep

publicado 28/11/2016 11h17, última modificação 28/11/2016 11h17
São Paulo – Marcos Cintra considera que a crise econômica dificulta no investimento público em inovação
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Para Marcos Cintra, presidente da Finep, tecnologia e inovação devem ser metas constantes do governo e não podem sofrer com queda de investimento. Com a crise econômica do país, Cintra considera que o aumento no investimento em ciência e tecnologia deve vir da iniciativa privada. “Hoje investimos cerca de 1,30% do PIB em ciência e inovação – cerca de dois terços são dispêndio público e um terço vem da iniciativa privada. A meta hoje é chegarmos a 2% do PIB em investimento, mas, para isso, não contem com aumento de recursos públicos devido ao quadro econômico atual. Esse acréscimo tem que vir do setor privado. Temos que ver o que está faltando na iniciativa privada para alavancar esses investimentos” avaliou, durante o 8º Fórum de Inovação da Amcham – São Paulo na sexta-feira (25/11).

Outra questão apontada por Cintra foi a desinformação a respeito dos meios e instituições de financiamento. O especialista aponta que o sistema brasileiro de investimento é diversificado, rico e complexo, com agências de fomento, laboratórios nacionais e fundos de apoio a pesquisa. No entanto, há o desafio de comunicar o que está disponível nesses órgãos. “Acho que o grande desafio não é necessariamente especializar mais as agencias existentes, mas, sim, coordenarmos esse trabalho”, opinou.

Paulo Renato Cabral, presidente do Instituto Inovação e sócio da Inseed Investimentos, também acredita que a tendência é que haja cada vez mais investimento da iniciativa privada em tecnologia – ao contrário do que acontecia há dez anos, em que havia o predomínio quase total de investimento público na área. No entanto, Cabral avalia que entraves burocráticos barram a inovação nas universidades e laboratórios de pesquisa. “Se qualquer um fizer uma visita a USP, UNICAMP ou UNESP, a riqueza de desenvolvimento tecnológico e de oportunidades ali dentro é absurda, só que elas estão aprisionadas em teses ou por uma burocracia cultural absurda”, lamentou.

Jorge Almeida Guimarães, presidente da Embrapii, vê que um dos maiores problemas de inovação no país é o fato que a maioria das empresas brasileiras não tem centros de pesquisa. “Por outro lado, na universidade e nos centros de pesquisas encontramos pessoas que foram qualificadas com financiamento pesado. Temos que botar esse pessoal junto [às empresas]”, avaliou.

Luciana Capanema, gerente de inovação do BNDES, avalia que a inovação é essencial para tornar a indústria brasileira competitiva. Por isso, a integração entre empresas e setor público é fundamental para avançar na área. “O investimento público brasileiro não é pequeno, mas a parcela dele que é dedicada às empresas está muito abaixo de outros países em desenvolvimento”, diagnosticou.

Além dessa integração, Capanema vê que o corporate venture como um instrumento que consegue reunir as competências das grandes empresas com as startups e fomentar a inovação, unindo os recursos das organizações maiores e a agilidade das menores.