Inovação é pensar além de barreiras espaciais e físicas para dar respostas aos clientes, diz Microsoft

publicado 29/11/2016 15h14, última modificação 29/11/2016 15h14
São Paulo – Para Franklin Luzes, da Microsoft Participações, startups são mais ágeis e criativas
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“O segredo da inovação é pensar disruptivamente. É imaginar um Windows (sistema operacional) na parede ou na pele. Esse é o modelo que queremos incentivar, que não se preocupa com barreira espacial ou física. A inovação pode estar em qualquer lugar e segmento. Podemos ter um Windows agrícola, por exemplo.” A afirmação de Franklin Luzes, COO da Microsoft Participações, resume a visão das empresas sobre a forma de incentivar o surgimento de tecnologias inovadoras. Luzes participou do 8º Fórum de Inovação da Amcham – São Paulo na sexta-feira (25/11), ao lado de Clau Sganzerla, vice-presidente de estratégia e inovação do Grupo Algar, Diego Feldberg, diretor de produtos digitais e inovação da Cielo, e Peter Seiffert, Head Corporate Venture Capital da Embraer. Guilherme Junqueira, vice-presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), moderou as discussões.

A Microsoft Participações é um fundo de investimentos em empresas de tecnologia, que tem como parceiros a Qualcomm e a Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio). A ideia de criar um fundo foi para dar autonomia na análise de novos projetos. “Em uma empresa como a Microsoft, para aprovar um projeto é preciso passar por umas 150 pessoas no mundo tudo. No fundo de investimento, a decisão é tomada por poucas pessoas”, segundo o executivo.

De acordo com Luzes, a liberdade criativa deve estar ligada à solução de problemas práticos. “Para entender os problemas, temos que estar próximos dos clientes e testar as probabilidades. Mas queremos soluções que resolvam coisas do dia a dia”, afirma.

Como exemplo, cita o site de aluguel de quartos Airbnb, que em poucos anos superou o valor de mercado de tradicionais redes hoteleiras, como o Marriot, Hilton e Sheraton. “Há alguns anos, quase não se ouvia falar do Airbnb. Hoje, sem nenhum prédio próprio, o site vale mais do que grandes redes”, afirma Luzes.

Feldberg comenta que o trabalho com startups estimula novos produtos e também mudanças culturais. “As grandes empresas têm que mudar de mentalidade em relação à inovação, e estar próximo das startups ajuda nisso.” Na Cielo, a parceria com startups resultou na criação do Cielo Lio, terminal móvel de pagamentos que permite receber contas, coletar pedidos e gerar relatórios de venda.

A plataforma possibilita o desenvolvimento de negócios específicos para clientes variados. “Não faz sentido a Cielo desenvolver aplicativos para salão de beleza, alimentação e pet shop. O que fizemos foi criar uma plataforma e abrir espaço para as startups desenvolverem o negócio”, detalha Feldberg.

Para Seiffert, a vantagem de fazer parcerias com empresas inovadoras é que não é preciso “inventar a roda”. A Embraer possui um fundo de investimentos em empresas do setor aeroespacial, que investe em cinco empresas e recursos em torno de 130 milhões de dólares. “Não é preciso inventar a roda sempre. Por que tentar desenvolver uma tecnologia se ela já está sendo trabalhada pelas startups? Como investidor anjo, podemos ajudar com recursos, pesquisas e até compra de produção. Se no futuro o projeto se mostrar promissor, há possibilidade de compra pela Embraer.”

Atuando no setor de telefonia, Sganzerla disse que as operadoras precisam investir mais em inovação. “Todos os grandes negócios têm sofrido disrupção. Esse pensamento é a chave para sobreviver. Temos que dar condições às startups para que elas surjam e floresçam, tomando o cuidado adicional de não perder o timing da operação.”