INPI precisaria de 5 mil examinadores para dar conta do estoque de marcas e patentes em 1 ano

publicado 31/05/2016 14h42, última modificação 31/05/2016 14h42
São Paulo - Veja os principais destaques dos palestrantes no lançamento do relatório de avaliação empresarial sobre a atuação do Instituto.
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A Amcham lançou a quarta edição do Relatório de avaliação empresarial da atuação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) , terça-feira (31/5). Além da apresentação dos resultados do estudo, foram realizados dois painéis reunindo as percepções de especialistas e da iniciativa privada sobre propriedade intelectual no Brasil. O relatório Amcham de avaliação empresarial do INPI pode ser acessado clicando aqui.

Luiz Otávio Pimentel, presidente do INPI

“Precisaríamos de 5.050 examinadores para esgotar o backlog (estoque de marcas e patentes não analisados) em um ano” (O INPI tem 263)

“Não temos os recursos para trazer o material (em exame), não raras vezes um pesquisador nosso pega um táxi e vai lá buscar o projeto,  é uma coisa surreal.”

"O relatório aponta que a demora nos exames de propriedade industrial representa a maior barreira pra inovação e empreendedorismo para o Brasil quando pensamos em cadeia de valor"

"A demora em proteger os direitos de propriedade industrial diminui o poder de defesa contra a pirataria"

"O empresariado brasileiro, cada vez mais, tem entendido a propriedade intelectual como ferramenta pra sustentar a inovação. Há também o entendimento do governo brasileiro de que o custo da solução é o investimento público"

 

Marcos Troyjo, co-diretor do BRICLab da Columbia University

“Há muito tempo sabemos que a capacidade de inovar é um grande diferencial no aumento de renda, na criação de empregos cada vez mais desafiadores e na construção dos recursos necessários pra continuar a progressão econômica da sociedade”

“Apesar de todo o discurso, as autoridades brasileiras, sejam no campo empresarial ou no governamental, ainda não compraram em definitivo o imperativo inescapável da inovação”

“O tema de propriedade intelectual tem que ser resolvido de forma associativa a fim de descentralizar o processo do INPI. Tão importante quanto criar uma ou outra estrutura que busque acelerar o processo de reconhecimento de propriedade intelectual é melhorar o ecossistema geral da busca da inovação no país”

 

Marcos Vinícius Souza, Secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC)

“Queremos sair de uma visão muitas vezes ideológica de negociação pra ir pra uma visão mais pragmática, baseada em dados e evidências. Para isso, precisamos estar perto do setor privado”

“A única ideologia que seguimos é o que tem que ser feito pra aumentar a competitividade do setor privado”

 

Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI

“Acreditamos que inovação é tão importante que deveria estar em um locus mais estratégico, ligado diretamente à presidência do país, pela relevância e pelo impacto que isso tem para o desenvolvimento econômico e social do país”

“Temos conversado com o governo sobre a necessidade de mais recursos pra alavancar os investimentos privados, como é feito nos países mais inovadores do mundo”

 

Adilson Arli, líder em Parcerias Estratégicas e Propriedade Intelectual da Braskem

"A questão de segurança jurídica, para nós, passa pelo processo de patenteamento. É um fator importante fora do Brasil e deve ser importante aqui também”

“Para o país e para as empresas, precisamos solucionar essa questão o mais rápido possível, de forma colaborativa, com a cooperação do setor privado, principalmente das empresas que atuam no mercado globalizado”

 

Roberto Ribeiro, advogado de patente da Sanofi

"O que falta é o assunto inovação ser colocado na agenda de prioridades do país. Esse é o ponto principal. Não consigo imaginar o INPI com melhores resultados se não houver um apoio e incentivo dessa atividade nos negócios. Isso passa por diversas medidas governamentais e também do setor privado. O empresariado tem que tomar a iniciativa de correr mais riscos”

“Colocando a inovação e fazendo mais investimentos e pesquisas de desenvolvimento é o caminho pra ver o país se transformar, e aí sim teríamos o INPI com um mecanismo protetor de produção intelectual”