Intervenções do BC no câmbio são medidas preventivas no atual cenário de turbulências internacionais

por giovanna publicado 09/11/2011 18h55, última modificação 09/11/2011 18h55
Curitiba – Não há meta de câmbio, e sim um objetivo de evitar desequilíbrio, destacou Geraldo Magela, gerente-executivo de Normatização de Câmbio e Capitais Estrangeiros do Banco Central.
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As medidas de intervenção do Banco Central para controle do mercado cambial brasileiro, como a decisão de taxar as operações com contratos de câmbio com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 1%, impondo custos adicionais à entrada de determinados fluxos, possuem caráter preventivo, destaca o gerente-executivo de Normatização de Câmbio e Capitais Estrangeiros do Banco Central do Brasil, Geraldo Magela.

Segundo ele, essas ações visam equilibrar o câmbio e manter um nível de reservas que proteja o Brasil diante de uma possível piora no quadro internacional, sem, no entanto, eliminar a flutuação do câmbio. 

“Não há dentro do Banco Central meta de câmbio. O que o BC faz é o mesmo que qualquer outro país do mundo: evitar desequilíbrio. O objetivo é estabelecer um nível de reserva que dê condições ao Brasil de ter um seguro para eventualmente enfrentar uma crise”, afirmou Magela, que participou do comitê de Comércio Exterior da Amcham-Curitiba na terça-feira (08/11).  Para ele, esse tipo de medida já demonstrou sua eficácia em 2008.

“Mas é importante ressaltar que não há qualquer restrição do ponto de vista de fluxo. Não houve proibição de fluxo, o que foi colocado foi condição de custo adicional para determinados fluxos”, completou.


Magela lembrou que, hoje, o Brasil é um país com grande atratividade para investimentos estrangeiros em função de fatores como excesso de liquidez internacional, estabilidade política e econômica do País, e taxa de juros interna elevada. Ainda segundo ele, é importante considerar as perspectivas de grandes investimentos em função dos eventos esportivos dos próximos anos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que devem estimular crescimento do fluxo de capitais para o País.

Sistema Informatizado

Para fazer frente aos desafios de um fluxo de capitais cada vez mais intenso, o Banco Central adotou em outubro um novo sistema informatizado de câmbio para registro de transações. De acordo com Magela, a ferramenta tem como meta modernizar e simplificar a base de dados e a troca de informações entre o BC e as instituições autorizadas.

Em relação às vantagens desse sistema, o palestrante destacou o ganho operacional, a redução de riscos e a nova linguagem, que permite a atualização permanente das operações. “Isso trouxe para o BC uma redução de custos (operacionais) da ordem de 70% em média”, afirmou. A expectativa é de que essa economia seja repassada aos clientes finais dos bancos.

“O objetivo do sistema não foi mexer em regras de negócio, mas modernizar a parte de sistema informatizado. Porém, obviamente, ao fazer esse tipo de trabalho, foi possível reduzir alguma carga burocrática em determinadas situações.” Exemplo dessa facilitação foi a redução de dez modelos de formulários de contratos de câmbio para um único.