Investimentos e decisões estratégicas estão em compasso de espera do impeachment, segundo 48% dos CFO’s

publicado 25/08/2016 13h44, última modificação 25/08/2016 13h44
São Paulo – Enquete Amcham ouviu 155 diretores financeiros sobre o atual momento econômico brasileiro, ajuste fiscal e perspectivas
investimentos-pic01.jpg-4175.html

A votação do impeachment vem retardando investimentos e decisões estratégias em empresas brasileiras, segundo 48% dos diretores e gestores financeiros ouvidos pela Câmara Americana de Comércio/AMCHAM, em pesquisa aplicada nesta última terça-feira (23/8), durante edição do CFO Fórum promovido em São Paulo. Outros 35% dos consultados afirmam que a indefinição politica não é um fator de impacto no adiamento de investimentos e estratégias de negócio, 17% preferiu não declarar ou avaliar impacto.

A enquete realiza pela Amcham envolveu 155 executivos de empresas dos mais variados portes e segmentos. Na percepção de 67% deles, a recente onda de otimismo visto em alguns setores ainda é uma questão pontual, sendo um voto de confiança ao governo de transição e segue sem base concreta que garanta uma melhora da economia, seguindo na espera de reformas e ajustes . Uma parte menor (24%) dos consultados enxergam já uma retomada concreta da economia, em crédito a nova agenda econômica e ajustes do atual governo. E 6% não observam otimismo.

No médio prazo, o otimismo da economia deverá aparecer de fato. Quando questionados sobre o possível cenário de 2017, a maioria (73%) dos diretores financeiros acreditam que a economia deve retomar e trazer melhoras nos indicadores de consumo e produção. Para 22%, a incerteza perdura, com agravamento da crise no próximo ano.

Ajuste nas contas públicas é prioridade
Os diretores financeiros enxergam uma grande prioridade na agenda da retomada econômica: ajuste nas contas públicas, na visão de 83%. Outras ações foram citadas em menor escala por eles: reforma trabalhista (6%); maior diálogo público-privado (5%), e reforma da previdência (2%).

Para 65%, o principal fator da crise no Brasil é politico, em decorrência dos escândalos de corrupção e conflitos partidários e de governo. O fator econômico é visto por 32%, citando como causa a situação fiscal enfrentada pelo governo. Só 2% enxergam a influência externa e da desaceleração das grandes economias globais.

Preocupações
No cenário macroeconômico, alguns fatos estão preocupados os CFO’s brasileiros. Na pesquisa da Amcham, eles listam como grandes pontos de observação em comum: consumo em baixa (39%) ; possibilidade de aumento de impostos (17%); inadimplência alta (14%); câmbio volátil (13%) ; e crédito escasso (5%).

A crise trouxe também pressões internas na sua atividade de gestão financeira da companhia. Na agenda de 56% deles, a busca por eficiência e otimização de processos aparece de forma mais intensa por conta do contexto de incerteza econômica e politica. Corte de gastos (24%); gestão do risco financeiro (9%) e busca por crédito (6%) foram outras atividades citadas pelos diretores financeiros como grandes atribuições do financeiro neste ano.