Lava Jato, situação dos estados e Trump têm potencial de desestabilizar governo Temer, diz consultor político

publicado 13/02/2017 13h14, última modificação 13/02/2017 13h14
São Paulo – Carlos Eduardo Lins da Silva, da Patri, acredita em aprovação parcial de reformas importantes
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O presidente Michel Temer tem demonstrado ampla capacidade de articulação com o Congresso para a aprovação de reformas estruturais, mas três fatores são capazes de paralisar a agenda de mudanças e desestabilizar o governo, indica o consultor Carlos Eduardo Lins da Silva, sócio-diretor sênior da Patri Políticas Públicas. “Há três elementos imponderáveis que podem provocar transtornos ao Temer: a Lava Jato, a situação dos estados e o governo Trump”, disse Silva na quarta-feira (8/2), durante o 8º Seminário de Perspectivas Comerciais, Econômicas e Políticas da Amcham – São Paulo. “Nenhum deles deve levar o mandato de Temer a um término antecipado, mas podem provocar transtornos”, acrescenta.

A Operação Lava Jato, do Ministério Público Federal, é o primeiro deles. Se as investigações apontarem para um envolvimento direto de Temer em episódios de corrupção, podem complicar a agenda do governo. Por enquanto, não há indícios disso, segundo Silva. Mas ministros importantes de seu governo podem ser diretamente atingidos, assim como uma centena de deputados e alguns senadores que o apoiam. Tudo isso pode provocar turbulência e atrasar a votação de reformas.” A impopularidade do presidente pode aumentar se ele e seu governo interferirem negativamente no processo, continua Silva.

A situação crítica dos estados também pode causar danos ao governo federal. “Eles são pouco lembrados nas análises de situação política no Brasil, mas são os estados que proveem saúde, educação e segurança à população. Os acontecimentos deploráveis em Roraima, Rio de Janeiro e Espírito Santo têm potencial de ser extremamente convulsivos, diante do quadro de alto desemprego, insegurança pública e falta de serviços básicos”, argumenta o especialista.

O último fator imponderável é o governo do presidente americano Donald Trump. Silva disse que a situação política brasileira não deverá ser afetada pelas ações do líder americano, mas uma instabilidade diante de mudanças institucionais não pode ser descartada. “Suas atitudes imprevisíveis acabam afetando o mundo inteiro. Não por questões de comércio internacional, mas por temas regulatórios que ele quer mudar nos EUA e acabam influenciando o mundo inteiro. Como a desregulação do setor financeiro e mudanças nas políticas ambientais, por exemplo. Essas discussões são suficientes para causar celeuma e fatalmente vão repercutir por aqui”, detalha.

Para Silva, a atuação de Temer na condução de reformas estruturais, como a limitação de gastos públicos, e a defesa de mudanças na previdência são positivas. “Não esperava tanto. A articulação política de Temer resultou em aprovação de reformas importantes em um prazo mais rápido que imaginava”, disse.

Para o especialista, o presidente vai conseguir passar as reformas não em sua integridade, mas a maior parte das propostas. “Elas não vão resolver os problemas estruturais, mas darão alívio e respiro ao ambiente político e econômico.”