Leilões específicos para energia solar são fundamentais para maior inserção dessa fonte na matriz energética nacional, apontam especialistas

por giovanna publicado 23/05/2012 18h09, última modificação 23/05/2012 18h09
Recife – Micro e minigeração também são oportunidades de desenvolvimento para fontes solares.

Uma estratégia fundamental para ampliar a participação da energia solar na matriz energética brasileira é a realização de leilões específicos para essa fonte energética.  É o que apontam Pedro Cavalcanti, presidente da Multiempreendimentos, e Manoel Andrade, gerente de Desenvolvimento de Negócios da SunEdison. Eles estiveram presentes no comitê de Energia da Amcham-Recife em 27/04. 

“A realização desses leilões exclusivos e a instituição de uma política para a fonte solar são fundamentais para que a energia solar se torne mais competitiva. A partir daí, quando adquirir força no País, ela poderá fazer parte de leilões, competindo com outras fontes de energia”, defendeu Cavalcanti.

“As empresas do segmento esperam que o governo promova leilões de inserção solar, assim como foi feito para outras fontes no passado”, comentou Andrade.

A atratividade da fonte solar para o mercado, segundo Cavalcanti, reside em sua capacidade de complementar outras fontes energéticas renováveis como a eólica. “Muitos dos investidores que têm projetos eólicos se interessam por fazer um mix com a fonte solar. Nos dias em que se registra mais vento, ele ocorre no período da noite. A fonte solar viria então para complementar a geração durante o dia.”

Regulamentação

Manoel Andrade ressaltou ainda que a resolução normativa nº 482 de 17 de abril de 2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) representa um grande passo para a futura ampliação da exploração da energia solar no Brasil.  

“A resolução estabelece as condições para o acesso de micro e minigeração de energia elétrica no Brasil. É o primeiro conjunto de regras para inserção dessa modalidade de produção no País”, explicou.

O executivo destaca que a norma permitirá a exploração da energia solar em baixa escala. “A expectativa do mercado é trabalhar na mini e micro geração e também na parte de leilões dedicados a plantas solares de larga escala”, completou.

Missão empresarial

Uma comitiva de empresários de nove companhias americanas das áreas de energias renováveis e saneamento participou da reunião do comitê, como parte de uma visita à capital pernambucana entre 25 e 27/04 para buscar potenciais parceiros para investimentos no mercado de energia local.

A iniciativa foi uma ação da Amcham em parceria com o Consulado dos EUA em Recife, a Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e o Brazil-US Business Council.

Além do comitê de Energia da Amcham, onde foram discutidas as perspectivas para o mercado de energias renováveis, o grupo participou de uma rodada de negócios com empresários locais dos segmentos de energia e meio ambiente e visitou o Complexo Industrial Portuário de Suape. 

Parceiros internacionais

Pedro Cavalcanti destaca o mercado americano como um dos principais parceiros para o Brasil em energias renováveis. “Os EUA têm uma indústria de aerogeradores e componentes fotovoltáicos bastante estruturada e poderão contribuir com nosso mercado com materiais e equipamentos bastante seguros do ponto de vista tecnológico”, afirmou. 

Outros países também citados por Manoel Andrade por seu know how tecnológico na exploração de energias renováveis são a Índia e a China.