Licitação de ferrovias e investimentos em portos são apostas para avanço do setor logístico em 2013

por marcel_gugoni — publicado 18/01/2013 12h18, última modificação 18/01/2013 12h18
São Paulo - Executivos dizem que o crescimento do setor tem caminhado em taxas que são o dobro do PIB.
logistica_195.jpg

Rodadas de licitações de ao menos 12 trechos de ferrovias e a ampliação dos investimentos em 16 terminais portuários são as apostas para o setor logístico manter o fôlego em 2013. A estimativa geral do segmento é de que um ritmo forte do Produto Interno Bruto (PIB), que deve fechar o ano em 3%, traga um avanço ainda maior dos transportes de cargas no País. Executivos dizem que o crescimento do setor tem caminhado em taxas que são o dobro do PIB – e em 2013 deve manter o mesmo ritmo.

Veja também: EPL: pacote para infraestrutura busca integrar modais logísticos para reforçar competitividade do Brasil

Para o transporte ferroviário, cinco trechos de expansão devem entrar em leilão no primeiro semestre de 2013, e outros sete, no segundo. Há obras em todas as regiões do País, e entre elas estão o tramo norte e o tramo sul do Ferroanel, que circundará o município de São Paulo para desafogar o transporte de carga na região metropolitana.

“Prevemos dois anos de obras e não podemos passar de 2015 [para concluir o Ferroanel] porque senão teremos sérios problemas de movimentação de carga nessa área de São Paulo, que é importantíssima para o País”, afirma Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Veja mais: Brasil tem empresas interessadas em investir em infraestrutura logística, diz diretor da EPL

Ele participou nesta quinta-feira (17/01) do comitê aberto de Logística da Amcham-São Paulo, que debateu as perspectivas do setor para 2013. A conclusão é de que ainda há gargalos que devem ser superados com contínuos investimentos, tanto do setor público quanto privado.

Transporte sobre trilhos

Vilaça explica que o setor ferroviário é o que mais necessita de aportes, para retomar a competitividade. “A estrutura ferroviária brasileira tem mais de um século, e a maior dificuldade do segmento é escoar as toneladas de carga do interior do País.” Ele se refere desde às safras de grãos do Mato Grosso até os minérios do Pará. “O caminho é esse mesmo: de rasgar o País em um canteiro de obras em todas as modalidades de transportes”, afirma.

Para se ter uma ideia do atraso brasileiro, a malha norte-americana de trens tem mais de 220 mil quilômetros, enquanto a brasileira tem 29 mil. Somente se considerados os transportes metropolitanos, o metrô de Londres (Reino Unido), o mais antigo do mundo – com 150 anos de operação –, tem mais de 400 km de linhas, enquanto o de São Paulo (maior do País), conta com menos de 75 km.

Ainda neste ano, deve ser realizado o leilão do trem-bala, o veículo de alta velocidade que vai ligar as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. A previsão é de que a licitação saia em setembro, e que ele seja aberto ao público em 2020. As obras são orçadas em R$ 35 bilhões, segundo a Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

“Agradeço muito ao transporte de passageiro sobre trilhos levantar essa bandeira” da necessidade de investimentos em transporte sobre trilhos, defende o diretor da ANTF. “Nenhuma carga cria situação tão favorável como a população exigindo obras de infraestrutura de mobilidade”, avalia.

Segundo números da EPL, as ferrovias do País necessitam de investimentos da ordem de R$ 91 bilhões, dos quais R$ 56 bilhões devem ser aplicados entre 2013 e 2018. Ao menos 10 mil quilômetros de ferrovias devem ser construídos neste período.

Transporte marítimo

Gustavo Costa, gerente geral de cabotagem e Mercosul da Aliança Navegação e Logística, vê com bons olhos os investimentos nos portos brasileiros. A EPL prevê que R$ 31 bi devam ser aplicados até 2015 nos portos, dentro de investimentos totais de R$ 54,2 bilhões.

Costa defende que o setor privado passe a considerar mais as alternativas intermodais como a cabotagem. “Em mesma origem e destino, nós conseguimos ter preços de 10% a 15% mais baixos do que o puro rodoviário no custo logístico total, inclusive contando pagamento de seguro”, afirmou ele, apostando em um aumento na integração entre transportes. “Hoje, nossa maior concorrência é com o rodoviário.”

Segundo ele, é muito comum empresas optarem por transportar cargas por 4000 km e pagar os altos custos do uso de caminhões – incluindo os riscos de acidentes nas estradas e nos riscos de roubos de cargas, por exemplo. “O modelo das empresas é muito atrelado ao rodoviário. Isso precisa ser mudado e só depende de gestão. Na cabotagem, o item seguro é muito mais barato porque o índice de sinistralidade é praticamente zero, assim como de avaria.”

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

“O sistema portuário no Brasil está equacionado – sabemos onde tem que investir, onde tem que mudar marco regulatório. Para aumentar a cabotagem, é preciso que as empresas passem a olhar esse modal, porque capacidade de transporte existe no sistema portuário”, afirma. “Do ponto de vista sócio econômico, e até de sustentabilidade, a cabotagem tem isso em sua alma – emite menos CO2, congestiona menos estradas e tem menos acidente.”

Uma das preocupações da intermodalidade com cabotagem é o custo tributário. “Quando se pega um modal aéreo, ele tem um ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] de 4% independente da origem ou do destino. É um só documento de transporte, sem tributo em cascata. No meu caso, pago imposto rodoviário [para levar a mercadoria ao porto] e depois marítimo.”

O assunto é isonomia de tratamento entre os modais, defende ele. “A logística é fundamental à estratégia de competitividade”, conclui Vilaça.