Mercado de crédito e de capitais tem que ser maior que o BNDES, diz executivo do banco

publicado 23/06/2017 17h22, última modificação 26/06/2017 16h08
São Paulo – Para Ricardo Ramos, banco vai criar medidas para incentivar financiamento de longo prazo
Ricardo Ramos

Ricardo Ramos, do BNDES: em financiamento de longo prazo, banco tem que ser um dos atores “relevantes”, e não o “principal”

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não pode ser a única entidade do mercado a ter financiamento de longo prazo para o setor produtivo, reconhece Ricardo Luiz de Souza Ramos, diretor de Operações Indiretas, Comércio Exterior e Fundos Garantidores do BNDES.

“De fato, o mercado de crédito e de capitais não pode ser do tamanho do BNDES. Tem que ser muito maior, porque as necessidades do país são enormes”, afirma o executivo, no seminário ‘A Retomada do Crescimento: Alternativas de Crédito e Capital’ da Amcham – São Paulo na sexta-feira (23/6).

Para Ramos, o banco tem que assumir papel relevante nesse mercado de crédito, “mas longe de ser o principal”. Uma das ações mencionada pelo executivo é estimular a oferta de novos instrumentos de crédito.

“Em médio prazo, vamos começar a reduzir a participação do financiamento de infraestrutura com TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e assim abrir espaço para as debêntures”, exemplifica. A TJLP é o índice do BNDES para calcular o juro dos empréstimos e está abaixo da remuneração de mercado, referenciada pela Selic, IPCA ou o CDI. As debêntures, por exemplo, são calculadas com base nos indicadores de referência.

Em março, o BNDES anunciou a intenção de criar uma nova taxa de juros, a Taxa de Longo Prazo (TLP), com remuneração mais próxima de mercado. Nessas condições, a procura por debêntures para financiar projetos de longo prazo deve ganhar impulso. “Queremos ser o indutor dessa expansão de crédito e capital”, destaca o executivo.

Outra medida é estruturar melhor os projetos de parcerias público-privadas. “A partir de 2018, teremos muitos leilões de concessão estadual de saneamento, gás e energia. Estamos ajudando na estruturação dos projetos, para que na hora do leilão haja uma precificação melhor dos ativos e  os interessados sejam capazes de participar com mais informação.”

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