Minas Gerais elabora plano para assegurar abastecimento de energia na Copa do Mundo de 2014

por daniela publicado 23/02/2011 15h38, última modificação 23/02/2011 15h38
Belo Horizonte- Cronograma e acompanhamento dos projetos será feito por secretaria de Estado especialmente criada para acompanhar obras voltadas ao evento esportivo.

O Estado de Minas Gerais está trabalhando para garantir a oferta contínua de energia elétrica na Copa de 2014. A coordenação e a viabilização dos projetos desse setor e de outras áreas fundamentais ligadas à realização do evento esportivo são responsabilidades da Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa).

“Em parceria com a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), a Secopa criou um grande planejamento para garantir as obras de energia para a Copa do Mundo. Está contemplado, em especial, o Estádio do Mineirão”, afirmou Éder Campos, gerente-adjunto da Secopa, que participou de evento sobre energia que encerrou o “Ciclo Amcham de Desenvolvimento Setorial: Infraestrutura” da Amcham–Belo Horizonte na sexta-feira (18/02).

O projeto de abastecimento de energia do Mineirão, em Belo Horizonte, baseia-se em duas linhas de abastecimento montadas na rede subterrânea do metrô, com 11 quilômetros de extensão. A alimentação principal será feita pela linha Estação Maracanã e a de contingência ocorrerá pela linha da Estação Pampulha, ambas próximas ao estádio.

Além disso, o governo do Estado está discutindo com o KfW, banco alemão de desenvolvimento, um projeto de energia solar para ser instalado no Mineirão. A ideia é instalar lâminas de captação da radiação solar na cobertura de concreto do estádio, direcionando a energia diretamente à rede. A estimativa é de geração de aproximadamente 500 MWh por essa fonte. “Esse projeto já está nas fases finais de negociação e existe a perspectiva de montar o mesmo projeto para o Mineirinho”, comentou Campos.

O modelo para implementação de melhorias no Mineirão é uma parceria público-privada (PPP) com a Minas Arena SA. As obras serão realizadas em dois anos, com um valor estimado em R$ 654 milhões. A Minas Arena SA operará no estádio durante 25 anos com a gestão compartilhada, com uma contrapartida do governo, mediante serviços da empresa.

Energia competitiva

Outro item abordado por especialistas no evento da Amcham foi o elevado custo da energia no Brasil, puxado pelos encargos, que têm um peso de 51,6% no total. Em 2010, o gasto total com energia no País foi de R$17 bilhões, sem somar impostos como o ICMS e a PIS-Cofins.

Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), apresentou propostas em favor de uma energia mais competitiva, baseadas na redução de encargos e taxas de fiscalização, que fazem parte do Projeto Energia Competitiva (PEC), elaborado pela entidade em conjunto com outras associações. “A redução no preço da energia é um investimento de custo e riscos desprezíveis, com retorno para todos os brasileiros”, ressaltou.

Com aplicação de preços mais competitivos da energia, se os ganhos conquistados em termos de Produto Interno Bruto (PIB) fossem antecipados para valor presente, descontados a uma taxa de 5,92% ao ano, até 2020 seriam acumulados cerca de US$ 1 trilhão. Esse montante representa um retorno 8,6 vezes maior que as reduções dos custos de energia sugeridas pela Abrace. O incremento do PIB, por sua vez, propiciaria uma arrecadação adicional de impostos e contribuições de R$ 238 bilhões até 2020.

Nessa perspectiva, com a aplicação das propostas do PEC, o ritmo de crescimento levaria a um acréscimo do PIB de R$ 695 bilhões até 2020, a renda per capita anual passaria de R$ 25,9 mil para R$ 29,3 mil, seriam criados 4,6 milhões empregos adicionais até o final do período, e os avanços macroeconômicos teriam repercussão em todos os segmentos da economia.

A energia mais competitiva também pode levar a reflexos positivos na balança comercial, revertendo a tendência atual, que tornará o País vulnerável em suas contas externas.

“Não restam dúvidas de que a minimização de custos de produção - via redução de tributos e encargos - pode representar um primeiro passo para a reversão de uma tendência que pode colocar em risco o potencial desenvolvimento socioeconômico brasileiro”, explicou Pedrosa.

Política tarifária

Ainda no debate sobre o tema, Frederico Fonseca, sócio do escritório Rolim, Godoi, Viotti e Leite Campos Advogados, acrescentou que existe uma contradição em relação à política tarifária. “Por um lado, o governo vem tendo êxito, reduzindo o valor da energia nos leilões; por outro, ele vem, cada vez mais, aumentando o preço dos encargos e dos tributos na tarifa.”

Fonseca avaliou que não há que se negar a importância dos encargos para o setor como um todo, como a equalização de tarifas, a garantia de segurança do sistema e de fomento às energias alternativas “Porém, devemos questionar a política de encargos a partir do momento em que seu peso é tão grande que começa a prejudicar ou ofuscar os benefícios”, alertou.

Eficiência energética

Frente aos elevados custos da energia e demandas crescentes no cenário global, o diretor de Energia da Braskem, André Gohn, enfatizou que a eficiência energética é um caminho sem volta. O diretor explicou, por exemplo, que, se a economia brasileira prosseguir em expansão, as indústrias, o comércio e a população passarão a consumir cada vez mais energia, necessitando assim, que a expansão de toda a infraestrutura acompanhe esse ritmo.

“A eficiência energética é uma forma de, ao invés de aumentar a infraestrutura, reduzir o consumo. São medidas que qualquer país, segmento e porte de empresa podem adotar, utilizando equipamentos e processos que consumam menos energia, evitando o desperdício. Entretanto, para isso, são necessários investimentos”, esclareceu o diretor.

Gohn afirmou ainda que o governo federal está tratando desse assunto no Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEF), que deverá ser lançado no meio do ano. O PNEF contempla treinamentos de profissionais, formas de financiamentos e incentivos às novas tecnologias.

Energias alternativas

O Brasil está em terceiro lugar dentre os principais países com potenciais hidrelétricos tecnicamente aproveitáveis no mundo, perdendo apenas para Rússia e China. No que diz respeito à produção de bioenergia, fica entre os países com maior produção e, ainda assim,  há grande espaço a ser explorado, destacou  o presidente da Green Energy, Othon Maciel Filho.


Para ele, o segmento dos resíduos orgânicos é de grande importância, pois catalisa interesses econômicos. Além da geração da energia elétrica, contribui para a produção de combustíveis renováveis, permitindo a inibição das fontes fósseis e reduzindo a emissão de gases causadores do efeito estufa.