Modernizar área financeira sem as pessoas adequadas é o mesmo que automatizar a ineficiência, compara CFO da Avon

por andre_inohara — publicado 18/06/2012 10h01, última modificação 18/06/2012 10h01
André Inohara
São Paulo – Segundo o executivo, esse departamento precisa cumprir um papel cada vez mais central, o de prover informações estratégicas e gerenciais para a continuidade do negócio.
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Os mais arrojados investimentos em atualização de processos e sistemas da área financeira só vão dar retorno se houver pessoas capacitadas para conduzi-los.

“Muita gente fala que o principal é o sistema, mas ele em si pode automatizar a ineficiência. As pessoas são o ponto mais importante. Elas é que fazem a diferença”, diz Carlos Zettler, diretor executivo de Finanças da Avon Cosméticos.

Um dos debatedores do CFO Fórum, evento organizado pela Amcham-São Paulo na última quinta-feira (14/06), Zettler contou a experiência da Avon na padronização e concentração de funções em seus departamentos financeiros na América Latina, de forma a reduzir custos e prover cada vez mais a alta gestão com análises estratégicas e de negócios.

Veja aqui: Departamento financeiro eficiente automatiza rotinas e atua como parceiro de negócio

A estratégia da Avon foi terceirizar várias funções de seus departamentos financeiros, buscando facilitar o fluxo de dados entre as fábricas e os centros de distribuição na região, de modo a melhorar o controle de informações.

Confira abaixo a entrevista de Zettler ao site após o evento:

Veja aqui: Gestores financeiros mostram otimismo com cenário doméstico e revelam acreditar que crise internacional terá efeito reduzido no Brasil

Amcham: Pesquisa da Amcham aplicada durante o CFO Fórum revelou que a maioria dos executivos presentes acha que uma área financeira best in class tem que ser padronizada e buscar a melhoria contínua de processos financeiros e operacionais. O sr. concorda?

Carlos Zettler: O que é preciso é uma base forte, que são o controle e a entrada de dados. Todos os relatórios têm que ser produzidos, seja os locais, gerenciais ou em padrão contábil americano (US Gaap). O departamento financeiro almeja ser um conselheiro de negócios da empresa, mas, se não tiver uma base de dados sólida, não adianta. Uma organização tem que ter processos, pessoas e sistemas adequados.

Veja aqui: Automatizar e padronizar processos são lemas para áreas de finanças serem consideradas “best in class”

Amcham: Dos três elementos que o sr. citou, qual o mais importante?

Carlos Zettler: As pessoas são o ponto mais importante. Elas é que fazem a diferença. Muita gente fala que o mais importante é o sistema, mas ele em si pode automatizar a ineficiência. Muitas vezes um novo sistema de gestão financeira é implantado, automatizando funções, mas sem avaliar adequadamente os processos. Sem saber o que está acontecendo e definir responsabilidades, os erros passam a acontecer mais rapidamente e há retrabalho.

Amcham: O papel das pessoas com o emprego de sistemas também se torna diferente...

Carlos Zettler: A pessoa tem que saber utilizar o sistema da forma correta, possuir a visão geral do negócio e acompanhar se a execução está seguindo a estratégia definida. Se ela não faz isso, não pode ser considerada parceira do negócio. Ela tem que estar envolvida no todo.

Amcham: Como a área financeira pode se envolver mais na empresa como um todo?

Carlos Zettler: Muitas vezes, o financeiro é visto como aquele departamento que quer enxugar tudo e tirar a última gota. O financeiro tem que fazer isso, mas adequadamente. Isso significa que é preciso mostrar não só o retorno de investimento, mas também de qualidade de vida. Isso é interessante porque é preciso avaliar o que está se exigindo da operação e considerar a qualidade de vida que as pessoas vão ter para entregar o resultado.

Amcham: Como é uma gestão financeira voltada ao negócio?

Carlos Zettler: Um cuidado a ser tomado é ser realista, saber que, se todo negócio feito trouxesse o resultado prometido, as empresas só teriam lucro e nunca despesa. Se não se olhar para fora e enxergar o que está acontecendo no mercado, não se faz o papel do financeiro. É preciso tomar as medidas adequadas para preparar o negócio para o mercado. Não se pode ter foco só no curto prazo, mas no médio e longo. O financeiro tem que entender o negócio, seu ambiente e ter estratégia para falar se uma ação tem retorno não só no aspecto financeiro, mas na qualidade como um todo, incluindo não apenas redução de custo, mas também aspectos como adequação de pessoas.