Mudança de cenário exige do gestor financeiro um papel estratégico maior, de acordo com sócio da PwC

por andre_inohara — publicado 18/06/2012 18h14, última modificação 18/06/2012 18h14
São Paulo – Luiz Viotti afirma que profissional de finanças precisa atuar como parceiro de negócio e apoiando decisões corporativas com análises qualificadas.
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Fornecer análises financeiras mais qualificadas e baseadas nas características do negócio é uma habilidade que os profissionais da área de finanças verão ser cada vez mais valorizada pelas empresas. Em tempos de concorrência acirrada, o profissional financeiro moderno é aquele que, além atuar com responsabilidade na gestão de riscos e custos, desenvolve uma aguçada visão estratégica e fornece análises qualificadas sobre o mercado, a concorrência e oportunidades.

Essa constatação foi amparada por uma pesquisa mundial da consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers) sobre os desafios da função financeira e as melhores práticas no setor, e está em linha com o que se exige do executivo financeiro no Brasil.

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“Questões de compliance, eficiência e visão de negócios fazem parte das atribuições do profissional de finanças”, diz Luiz Eduardo Viotti, sócio líder de Consulting Finance da PwC Brasil, que mediou o evento CFO Forum, organizado pela Amcham-São Paulo na quinta-feira (14/06).

Leia abaixo a entrevista de Viotti ao site da Amcham:

Amcham: Quais são os principais destaques da pesquisa da PwC e como ela reflete a realidade brasileira?

Luiz Viotti: No painel de discussões sobre as melhores práticas da área financeira, procuramos trazer um microcosmo que representasse a realidade internacional e brasileira ao mesmo tempo. Das 130 empresas ouvidas em nossa pesquisa, sete estão estabelecidas no Brasil. Algumas delas são multinacionais estrangeiras que têm o seu principal mercado no Brasil. Na pesquisa, pudemos capturar bem as diferentes nuances das responsabilidades dos profissionais de finanças. Selecionamos uma amostra com o universo mais sofisticado das empresas, vimos que algumas estão claramente mais avançadas, como o Google. Apesar de ser uma organização muito nova, está em um estagio mais avançado de práticas de finanças. A Johnson & Johnson e a Avon, bem como outras empresas, estão buscando chegar a um nível de eficiência nos processos de negócios que permitam trazê-las para o patamar de parceiro de negócios.

Amcham: Que conclusões podem ser extraídas da pesquisa?

Luiz Viotti: Ela reflete muito bem a realidade do mercado local. Dos 130 participantes, poucos foram brasileiros. Independente disso, ficou claro para mim nas conversas prévias com as empresas que participaram do evento [da Amcham] que o dia a dia deles é exatamente o mesmo das empresas que responderam à pesquisa. Questões de compliance, eficiência e visão de negócios (business insight) fazem parte dessa atuação.

Amcham: Esse é o tripé que norteia a atuação da área financeira?

Luiz Viotti: Certamente. O grande segredo para ser bem sucedido é conseguir fazer o equilíbrio desse tripé. O que vemos às vezes são CFOs preparados para questões de compliance e eficiência, mas muito pouco prontos para a visão do negócio. Esses CFOs terão vida curta porque, à medida que as empresas amadurecem e entram em mercados mais competitivos, são necessárias decisões mais ágeis pelos seus pares.

Amcham: Como equilibrar a boa atuação em compliance, eficiência e visão do negócio?

Luiz Viotti: O CFO que se preparar para atender as necessidades da empresa e se expuser mais ao mercado terá que montar o tripé de forma bastante equilibrada. Nem todas as empresas vão conseguir equilibrar o tripé ao mesmo tempo porque isso depende do estágio de maturidade e capacidade do CFO de se cercar das pessoas certas. A área de finanças depende mais de pessoas do que de tecnologia e não é fácil no mercado, que está escasso de recursos humanos qualificados, conseguir as pessoas certas para exercer essas atribuições no nível adequado.

Amcham: Em outra pesquisa, desta vez realizada pela Amcham com os participantes do evento, os executivos financeiros demonstraram otimismo em relação ao desempenho das empresas neste ano, a despeito de um cenário exterior pessimista. Isso chega a ser uma surpresa para o sr.?

Luiz Viotti: O Brasil tem uma posição muito privilegiada. Ouvimos dos economistas que o problema do Brasil não é o tamanho do seu mercado interno nem o crescimento do poder aquisitivo do consumidor, mas há questões fundamentais da economia que têm que ser resolvidas, como todos os gargalos tributários e a infraestrutura logística.

Amcham: O primeiro painel tratou da influência do cenário internacional para as empresas brasileiras. Diante de um quadro de crise nas economias desenvolvidas, sobretudo as europeias, qual a sua avaliação de efeito para as empresas brasileiras e seus CFOs?

Luiz Viotti: No Brasil, o CFO tem que ser um malabarista e se adequar a todos os cenários porque as empresas brasileiras cresceram muito nos últimos anos em função das exportações de commodities para a China e outros países. Enquanto esse mercado estiver forte lá fora, as empresas terão um amplo canal de exportação. Não se sabe até quando esse ciclo de commodities vai durar, e vemos alguns sinais de desaquecimento. É por isso que o CFO tem que estar preparado para mudar uma equação financeira dentro das empresas que hoje talvez seja muito dependente de exportações e focar mais no mercado nacional, que não para de crescer.