Mulheres jovens estão mais preparadas para investir, afirma consultora

por giovanna publicado 13/01/2011 09h26, última modificação 13/01/2011 09h26
São Paulo – Perfil entre 18 e 25 anos planeja melhor a vida financeira e aplica mais cedo do que o acima de 30 anos.
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Mais informadas e disciplinadas, as mulheres entre 18 e 25 anos planejam melhor a vida financeira, se endividam menos e investem mais cedo do que as que têm mais de 30. Trata-se de uma geração mais preparada para começar a fazer aplicações financeiras e que prioriza a formação de patrimônio, diz a consultora Sandra Blanco, da Personale Investimentos.

Segundo ela, esse perfil das mais jovens se deve em boa parte ao importante crescimento da educação financeira nos últimos anos, com disponibilização de muitas informações em sites, livros e revistas.

“Há pesquisas que revelam que mulheres dos 30 anos aos 45 anos se encontram muito endividadas. Já as mais jovens com que tenho falado demonstram se esforçar ao máximo para economizar”, observa Sandra, que é também autora de livros de educação financeira para mulheres e participou nesta quarta-feira (12/01) do comitê de Secretariado da Amcham-São Paulo.

A experiência de Sandra como consultora de investimentos começou quando morou nos Estados Unidos com a família. Lá, esteve em contato com mulheres investidoras que também atuavam como escritoras e consultoras de educação financeira.

Presença no mercado de capitais

A participação masculina no mercado de capitais ainda é esmagadora, fruto de diferenças culturais. “A mulher entrou depois no mercado de trabalho, o que atrasou seu papel como provedora principal do lar e também como investidora”, justifica.

Dos 611 mil investidores pessoa física registrados em dezembro de 2010 na BM&FBovespa, 151 mil eram mulheres. Isso representa 24,8% do total e um aumento de 11% na comparação com dezembro de 2009, quando eram 136 mil.

Conforme Sandra Blanco, a mulher ainda possui um perfil mais conservador de investimento, o que a leva a preferir produtos de retorno assegurado e menor risco de perda, caso da caderneta de poupança e de produtos de renda fixa. Quando acumula conhecimento, costuma migrar para fundos multimercado, seguros e previdência privada, acrescenta a consultora.

Receita para poupar

Sandra ensina que o primeiro passo para acumular recursos é não gastar mais do que se ganha. Evitar compras por impulso e pensar bem antes de tomar crédito caro, como o dos cartões e do cheque especial, também ajuda. “O erro mais comum do brasileiro é o endividamento acima da capacidade (de pagamento). Não se constrói patrimônio sem reserva mínima”, assinala.

Um processo duradouro de mudança de hábito com relação ao uso do dinheiro leva no mínimo seis meses, segundo a consultora. Esse é o tempo que necessário para colher resultados consistentes e vencer o consumo imediatista. Em suas palestras sobre educação financeira, Sandra pede que as pessoas imaginem uma aplicação de R$ 1000,00 a um rendimento de 0,8% ao mês.

“Isso dá R$ 8,00 de ganho mensal”. Se o mesmo montante for usado para uma divida no cartão de credito a 10% de juro, o consumidor terá que pagar mais R$ 100,00 além do principal. “O que é melhor, uma rentabilidade baixa ou uma grande dívida?”, desafia.