Necessidade mais urgente de Pernambuco é de mão de obra especializada, diz responsável pelo Complexo de Suape

por andre_inohara — publicado 09/08/2011 10h25, última modificação 09/08/2011 10h25
André Inohara
Recife - Demanda acelerada por obras de infraestrutura aumenta necessidade desses trabalhadores.
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Pernambuco tem uma necessidade premente de profissionais especializados para tocar as obras de melhorias no Estado. Esse é hoje o maior desafio local, de acordo com Frederico Amâncio, vice-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape.

Amâncio disse que o Estado está investindo na construção de ferrovias para melhorar a qualidade dos transportes e facilitar o acesso das mercadorias do interior do País ao porto de Suape.

Veja a entrevista que ele concedeu ao site da Amcham após participar do seminário Competitividade Regional realizado em Recife na sexta-feira (05/08):

Amcham: Como está a situação dos modais de transporte em Pernambuco?
Frederico Amâncio:
Em Pernambuco, estamos bem posicionados no que se refere a portos e aeroportos. Suape talvez seja o porto com o projeto mais completo de infraestrutura, e as obras estão em amplo desenvolvimento, assim como o nosso aeroporto internacional.
Mas um grande desafio que temos, tanto no Estado como no Brasil, é o desenvolvimento logístico do modal ferroviário.

Amcham: Poderia dar um exemplo?
Frederico Amâncio:
O projeto da Transnordestina Logística é importantíssimo para o Estado, que tem pouca malha ferroviária. Esse projeto cria novas perspectivas de integração, uma vez que se interligará a outros projetos, como a ferrovia Norte Sul e a Centro Atlântica (ambas passam pelas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste).

Amcham: E quanto ao modal rodoviário?
Frederico Amâncio:
Em todo o mundo, o modal rodoviário é utilizado para curtas distâncias, enquanto o ferroviário e o marítimo servem para longas. No Brasil está tudo errado. Hoje se usa muito pouco o modal marítimo de cabotagem. Aqui o tronco ferroviário é usado para transporte de cargas específicas e o rodoviário é o grande modal, mesmo para longas distâncias. Esse perfil precisa mudar.

Amcham: Como isso poderia ocorrer?
Frederico Amâncio:
O meio rodoviário tem papel importantíssimo, mas nosso desafio é ampliar a participação do modal ferroviário em nível regional e nacional. Além disso, precisamos desenvolver um grande plano para aumentar as operações de cabotagem, de forma a usar melhor nossa estrutura portuária e a extensa costa marítima.

Amcham: Como estão as obras de interligação de transportes?
Frederico Amâncio:
Em Suape, as obras estão no prazo. O que realizamos hoje atenderá necessidades atuais e nos próximos quinze anos. No caso da Transnordestina, as obras estão mais adiantadas do que o ramal do Ceará, por exemplo. A ferrovia da Transnordestina deve chegar a Suape, se tudo der certo, em 2013, e criará não só possibilidades de trazer mercadorias para embarque em Suape, mas também aumentará o fluxo de transportes em todo o Nordeste.

Amcham: Em termos de infraestrutura e mão de obra especializada, qual é a necessidade mais urgente de Pernambuco?
Frederico Amâncio:
No Estado, o desafio maior é o da mão de obra qualificada. Temos muitos projetos de infraestrutura em curso e outros em fase de planejamento. Por isso, o ritmo de crescimento no Estado está muito acelerado, consequentemente aumentando a demanda por pessoal. Temos de planejar uma forma de suprir essa necessidade. Essa é uma questão que envolve não só formação profissional, mas também discussões sobre a educação fundamental e ensino básico.