Nestlé, Syngenta, Whirpool, Volkswagen e Aquapolo revelam ações promovidas contra crise hídrica

publicado 13/02/2015 14h58, última modificação 13/02/2015 14h58
São Paulo – Água de reuso e energia renovável estão entre medidas adotadas pelas empresas para reduzir o consumo de recursos naturais
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Em meio à crise hídrica do Brasil, as empresas privadas estão promovendo ações internas para reduzir a quantidade de água e energia utilizadas em suas operações. Nestlé, Syngenta, Whirpool, Volkswagen e Aquapolo estiveram no Seminário Eficiência no Uso de Recursos Naturais, promovido pela Amcham-São Paulo nessa quinta-feira (12/02), para contar suas experiências com gestão de recursos naturais.

Água de reuso para empresas

Resultado da parceria entre Odebrecht Ambiental e Sabesp, a Aquapolo trabalha com o tratamento da água de esgoto para que ela possa ser reutilizada para fins industriais. “Temos capacidade de abastecer cidades de 500 mil habitantes, como Santos”, destaca Marcos Asseburg, diretor de Contratos da Aquapolo. Ele afirma que a excelente qualidade do produto permite que ele seja usado em qualquer situação, e não apenas para limpeza, destino muito comum da água de reuso.

Segundo Asseburg, além de ser competitiva em custo, a água de esgoto é a fonte mais perene que existe, o que permite o tratamento em grande escala. “São investimentos de longo prazo. Tanto é que um dos nossos desafios foi conseguir a garantia de uma longa parceria com os clientes”, diz.

Na Whirpool, 30% da água utilizada nas fábricas são de reuso, de acordo com Vanderlei Niehues, diretor de Sustentabilidade da companhia. Ele explica que a empresa vem adotando medidas para a economia de recursos naturais desde 2012. “Fizemos mudanças em processos e em tecnologias, como os sistemas de pintura líquida, e implantamos sistemas de captação de chuva em todas as unidades fabris”, detalha.

Niehues ressalta também a importância de pequenas ações, como a constante observação dos reguladores de vazão e a aquisição de sistemas de detecção de vazamento. Juntas, todas as medidas permitiram a economia de 30% de água em 2013 e 19% em 2014. “Nossa projeção é atingir mais 10% nesse ano.”

Geração de energia renovável

A borra de café e a casca de cacau, que restam da produção de café solúvel e chocolates da Nestlé, viram energia para abastecer as fábricas. “60% da nossa matriz é de energia renovável, gerada a partir das nossas matérias primas”, conta Gilberto Tonim, gerente de Energia da empresa.

Os dois são queimados em caldeiras a lenha, proveniente de três áreas verdes adquiridas pela Nestlé na década de 1980, em Mato Grosso e Minas Gerais, para o plantio de eucalipto. No caso da borra de café, 97% são reaproveitados, diminuindo também a quantidade de resíduos. 

De acordo com David Gomes, diretor industrial da Syngenta, parte da energia consumida pela empresa vem da queima do sabugo, que sobra das plantações de milho. “Nos últimos 15 anos, nossa produtividade por hectare na produção de milho foi multiplicada por quase seis”, conta.

Engajamento dos colaboradores

Para Michael Lehmann, gerente da divisão de Energia da Volkswagen, a conscientização dos colaboradores sobre a necessidade de se produzir mais com menos é fundamental para atingir a meta da empresa de reduzir 25% da quantidade de energia e solvente utilizados, além  da emissão de CO² e de resíduos gerados nas fábricas.

“Temos um mecanismo global que permite que todos divulguem ideias de como reduzir o consumo de recursos naturais nas plantas. Assim, uma prática desenvolvida no Brasil pode contribuir para a economia de recursos naturais em unidades na China”, revela. “Esse acervo é muito importante. Pequenas ideias podem contribuir muito.”