Nivea tem meta de dobrar de tamanho no Brasil em cinco anos

por daniela publicado 09/12/2010 16h07, última modificação 09/12/2010 16h07
Daniela Rocha
São Paulo - Potencial do mercado é elevado, puxado pelo consumo das classes C e D, diz presidente da empresa no País.
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A Nivea trabalha com a meta de dobrar de tamanho no Brasil nos próximos cinco anos. Entre 2005 e 2010, a empresa duplicou os negócios no País e agora quer repetir o desempenho positivo, afirma Nicolas Fischer, presidente companhia no País.

De acordo com ele, o potencial do mercado de cosméticos no Brasil é grande, especialmente movido pela ascensão das classes C e D.
Fischer participou na nesta quarta-feira (08/12) do comitê estratégico de Business Affairs da Amcham-São Paulo.

Além da expansão dos negócios da Nivea e das contínuas ações para conquistar os entrantes no mercado consumidor brasileiro, ele falou sobre os desafios para que o País amplie sua competitividade no cenário global. Acompanhe:

Amcham: Qual é o potencial do mercado de cosméticos no Brasil?
Nicolas Fischer:
O Brasil é o terceiro mercado de cosméticos do mundo e tem apresentado um crescimento anual médio de 8% a 10%. Acreditamos que, em alguns anos, o País chegará ao segundo lugar, passando o Japão, ficando somente atrás dos Estados Unidos. Esse dinamismo tem muito a ver com a melhoria econômica do País e a ascensão da classe média.

Amcham: Qual é a expressividade da Nivea Brasil no grupo BDF?
Nicolas Fischer:
Em termos de empresa, a Nivea Brasil é a sétima no grupo, mas, se olharmos somente a marca Nívea, porque o grupo tem várias marcas, neste ano, estamos na quarta posição. A liderança é da matriz na Alemanha, e depois vêm França e Itália porque somos fortes na Europa. Porém, já tenho uma aposta com o presidente da Itália sobre em quanto tempo superaremos a unidade italiana.

Amcham: Os negócios no Brasil estão em expansão?
Nicolas Fischer:
Sim, tínhamos uma meta estabelecida no nosso planejamento estratégico do final de 2005 de dobrar de tamanho em cinco anos. De fato, conseguimos finalizar este ano dobrando de tamanho. Mas acabo de chegar da Alemanha e o pedido da matriz é que dobremos de tamanho novamente nos próximos cinco anos. Devemos continuar nesse ritmo acelerado.

Amcham: A fábrica em Itatiba, no interior de São Paulo, será ampliada?
Nicolas Fischer: Hoje, cerca de 60% do que vendemos no mercado brasileiro é produzido na fábrica de Itatiba (única da empresa no País). Os outros 40% importamos do Chile e da Argentina, no Mercosul, e também da Europa, mas temos a visão de que, quanto mais contarmos com a produção da região, melhor será. A fábrica de Itatiba é relativamente nova, entrou em operação em 2003 e ainda  tem condições para acomodar mais crescimento. Em algum momento, sei que teremos de buscar uma ampliação, mas avaliaremos futuramente.

Amcham: Aqui no Brasil, a Nivea tem desenvolvido produtos específicos para as classes C e D?
Nicolas Fischer:
Quando se trabalha nesse setor de cosméticos, o ideal é ter o mesmo produto e a mesma campanha a nível mundial para se ter economia de escala. Sendo assim, às vezes pegamos produtos lançados globalmente e  usamos as mesmas campanhas internacionais no Brasil, após checar através de pesquisas se isso funciona. Há casos em que mantemos o mesmo produto internacional, mas mudamos a forma de comunicar porque reconhecemos que terá outra relevância no País. Entretanto, às vezes, é preciso adaptar determinados produtos, adequá-los ao País por motivos climáticos e hábitos de consumo. Os protetores solares aqui são diferentes dos comercializados na Europa. Os brasileiros querem que o protetor seja rapidamente absorvido, uma textura mais leve; assim, ajustamos a fórmula. Por outro lado, nosso produto mais famoso, o creme Nivea, é o mesmo no mundo inteiro. Mas em termos de preferências locais, notamos que os brasileiros gostam muito de fragrâncias e lançamos o sabonete líquido de erva doce, que não existe na Europa.

Amcham: Como a Nivea trabalha em termos de preços oferecidos aos consumidores em ascenção?
Nicolas Fischer:
Geralmente, o preço é importante para esses consumidores. O produto não precisa ser exatamente o mais barato, mas o compativel com o radar do cliente. O que vemos é que a classe média está conquistando maior poder de compra e busca produtos de qualidade, reconhecimento da marca e satisfação pessoal. Dessa forma, adaptamos ingredientes, fragâncias e texturas, mas não reduzimos a qualidade.

Amcham: Como está o mercado de cosméticos no Nordeste do País?
Nicolas Fischer:
Muitas pessoas não sabem, mas o Nordeste já é a região que tem o maior crescimento no País e assume a liderança em valor absoluto em alguns segmentos, por exemplo o de cremes para cuidados faciais. A região tem uma dinâmica forte e estamos conseguindo crescer mais Nordeste do que no restante do País.

Amcham: A Nivea está contratando funcionários para dar conta da demanda? Tem dificuldades para encontrar profissionais capacitados?
Nicolas Fischer:
No País, temos hoje 350 pessoas, sendo que há cinco anos eram 250. Além disso, terceirizamos a parte de logística, mas as áreas de vendas e marketing são próprias. Uma de nossas maiores conquistas nos últimos é que melhoramos a retenção de talentos. A rotatividade era alta e hoje, na média, o período médio de permanência dos funcionários é de dez anos, considerando que o quadro é jovem, na média com 32 anos de idade. Estruturamos uma política de planejamento de carreira e oportunidades de desenvolvimento, oferecendo cursos de idiomas, MBAs e oportunidades para trabalhar em outros países. A marca é forte e contribui bastante na atração de bons profissionais. O grande desafio é retê-los em um mercado altamente competitivo.

Amcham: Na sua visão, quais são as mudanças necessárias para que o País alcance um novo patamar de competitividade?
Nicolas Fischer: São necessários mais investimentos em infraestrutura e também é preciso melhorar o nível da educação porque são poucas as pessoas qualificadas. As reformas trabalhista e tributária são essenciais. A complexidade tributária no Brasil é muito grande. Creio que a comprexidade é um problema ainda maior do que a elevada carga em si. As empresas enfrentam muitas dificuldades para calcular os impostos e se manter em ordem.